20/11/2025
CLAMOR PÚBLICO PELA PRESERVAÇÃO DOS ESPAÇOS COMUNITÁRIOS NO CALUMBO – CZ5
À Administração Local do Calumbo,
Aos Moradores da Centralidadedo do Zango 5,EX. Z8000,
E à Sociedade em Geral,
Nós, residentes e primeiros beneficiários da Centralidade do Zango 5,Ex. Z8000, vimos por este meio manifestar a nossa profunda preocupação e tristeza perante a perda contínua dos espaços originalmente destinados ao desenvolvimento estrutural e social da nossa comunidade.
Quando, entre 2018 e 2019, muitos de nós recebemos as nossas residências, fomos informados de que a Centralidade do Zango 5, EX. Z8000, seria composta por 26 blocos, de A a Z, acompanhados de 6 hectares reservados para a futura instalação de serviços essenciais, tais como:
Supermercados
Bancos
Esquadra policial
Corpo de bombeiros
Bombas de combustível
Campo multiuso
Universidade
Zonas verdes e áreas de lazer
Essas promessas foram determinantes para que muitos escolhessem esta zona como o lar para as suas famílias. Naquele período, os moradores uniram-se, enviaram petições e, graças a esse esforço colectivo, alguns serviços básicos foram implementados.
Mas hoje, a pergunta permanece no ar: onde estão os espaços previstos para essas infra-estruturas essenciais?
Lamentamos constatar que os espaços públicos tanto os destinados às futuras construções quanto às áreas verdes e de lazer estão a ser gradualmente ocupados ou comercializados, muitas vezes sem transparência e sem consulta à comunidade.
É triste observar que até o espaço lateral da esquadra policial foi igualmente comercializado, contrariando o plano inicial da urbanização. Mais preocupante ainda é que as duas residências atualmente alocadas à esquadra policial pertencem a proprietários privados, que, em algum momento, poderão solicitar a devolução das mesmas.
Quando isso acontecer, onde ficará o Comando ou a Esquadra Policial do Zango 5?
Estaremos a perder um serviço essencial, indispensável para a segurança da comunidade.
Com a nova estrada para o Aeroporto, a necessidade de patrulhamento será ainda maior, exigindo forte colaboração entre moradores e forças de segurança. Contudo, sem instalações adequadas e com meios tão limitados, a polícia não terá condições de garantir a segurança necessária.
Também recordamos que até o espaço onde hoje funciona a Escola dos Bombeiros quase foi tomado, com pilares brancos ilegalmente colocados, mas felizmente aquela instituição resistiu e continua firme.
Além disso:
Espaços comunitários dentro dos quarteirões estão a ser ocupados por construções de interesse privado;
Estão a surgir igrejas dentro dos quarteirões, sem planeamento urbanístico;
O espaço reservado ao Mercado Municipal foi tomado por um projeto habitacional privado e quiosques improvisados, resultando no atual “Mercado do Zango 8000”;
Moradores estão a abrir janelas dos quintais para cantinas e bares por falta total de um centro comercial;
Os únicos espaços amplos remanescentes próximos à feira e à Igreja Católica também se encontram ameaçados.
Queremos o mesmo destino ordenado e digno do Kilamba ou do KK5000? Ou vamos continuar presos ao esquecimento e à desorganização?
Urbanização não se faz com improvisos. Urbanização faz-se com visão, respeito e compromisso com o bem comum.
APELAMOS, COM URGÊNCIA:
A suspensão imediata da ocupação e comercialização indevida de áreas públicas;
A publicação de um mapa oficial e transparente dos espaços reservados para infra-estruturas;
A recuperação dos espaços originalmente previstos;
A instalação definitiva da Esquadra Policial e de outros serviços essenciais;
A abertura de diálogo real com os moradores, porque nenhuma urbanização cresce sem a sua comunidade.
AOS GESTORES PÚBLICOS:
Pedimos que reflitam profundamente e escutem o clamor dos munícipes. A CZ-5 merece dignidade, organização e o cumprimento do projecto que nos foi apresentado.
AOS MORADORES E AO CONSELHO DE MORADORES:
A todos aqueles que ontem lutaram por esta comunidade, pedimos que não percam a esperança, o foco nem a determinação.
A nossa força maior sempre foi e sempre será a nossa união.
Com respeito e sentido de responsabilidade,
em nome dos que não se calam diante da injustiça:
João Contreiras (João Gato)
O Filho do Cuanza Norte