18/12/2025
Ontem, tive o privilégio de estar presente na confraternização de Natal, da clínica de idosos onde está minha sogra. Foi tudo ao acaso, quando cheguei vi uma agitação dos funcionários, nos preparativos finais, mesas postas com bolo e salgado, fotos instantâneas dos residentes decorando as árvores de Natal, que foram dispostas por andar. Tudo orquestrado e perfeito.
Então, depois que minha sogra lanchou, ela e todos os outros subiram ao terceiro andar, que é onde aconteceria a confraternização. Depois de quase meia hora para alocar cada idoso ao seu assento, surge no meio do salão um violinista, que encantou com obras de Bach, Vivaldi e Mozart, assim como Beatles, Edith Piaf e Roberto Carlos.
Neste instante, observando um a um, ali presente, e seus olhinhos lacrimejantes apreciando a apresentação, pude perceber com tristeza a finitude da vida. Naquela sala se fazia presente centenas de Natais, e de memórias tantas , que mesmo em silêncio, contavam uma história de vida, de um passado longevo, e de um futuro que já não existe.
Após o show, uma atriz de teatro idosa, animava a plateia, perguntando a todos uma palavra que definisse o Natal. A minha palavra foi família. Mas, eu não a disse em voz alta, apenas a pensei e senti meu peito apertar enquanto uma lágrima caia. Já as palavras do salão, vinham carregadas de súplicas, *passeios", "aniversários ", "paz", "amor", e por que não, "liberdade".
De repente, surge o Papai Noel, aquela figura carismática, que distribuiu um presente simbólico a cada idoso, e neste momento, todos se tornavam crianças, que felizes exclamavam o quão haviam se comportado, bem como se admiravam que o "Bom velhinho" tivesse se lembrado deles.
E eu, agora órfã, daria tudo para que um deles fosse meu pai, ou minha mãe, e eu pudesse estar em casa celebrando o Natal em família. Também me imaginei naquele salão um dia, embalando minhas quimeras ao som do inverno de Vivaldi.