18/05/2026
“Amar os animais é aprendizado de humanidade”, dizia o pórtico do zoológico de Hamburgo quando Guimarãe Rosa o visitou.
De certa forma, com suas histórias, Guimarães nos ensina a amar os animais, e de seu “Entremeio com o vaqueiro Mariano” saímos mais humanas. Conhecer a alma de vaqueiros e bois nos remeteu a outras eras, a um Brasil menos fraturado, a comunidades híbridas.
Com Kholstomier, Tolstói nos ensina a considerar esse outro absoluto que são os animais. Sempre do lado dos oprimidos, o grande escritor russo dá voz ao velho cavalo malhado castrado, que, por ser cavalo e não humano, observa o mundo de um lugar perfeito para expor a hipocrisia das construções sociais. O círculo que fazem os cavalos para escutar a sua história ao anoitecer deve ser uma das imagens mais belas da narrativa.
E o que ensina o cavalo fabuloso da Samanta Schweblin? Será que ele mora no imaginário, ou de tão extraordinário acessa canais invisíveis para nós, que temos os sentidos anestesiados?
Ao ler esses três textos juntos, novamente sentimos emergir a nostalgia da comunhão com outros seres, inclusive com nossos vizinhos, irmãos, seres humanos. A literatura tem nos aproximado de emoções extintas.
O Clube da Floresta segue lendo Animalidades - zooliteratura e os limites do humano, de Maria Esther Maciel ().