08/11/2021
Ritual do Candomblé
O que representa pintar o YAÓ ?
A união das três cores primordiais tem a força e o poder dos elementos da natureza e, no ato da pintura, estas energias conjuntas são transferidas para o iniciado.
O axé que está contido nestes elementos, ao combinar-se com outros materiais simbólicos, catalisa o desenvolvimento e a multiplicação do axé do iniciado.
E este axé particularizado junta-se ao axé coletivo, promovendo crescimento e melhorias para a casa de candomblé e a sua comunidade.
A liturgia da pintura corporal faz parte do conjunto ritual da iniciação e precisa ser feita com meticulosidade, como qualquer outra que é feito no iaô.
Esta pintura não é um ato artístico ou estético, é uma obrigação sacramental e só deve ser realizada por quem foi preparado para essa função.
Geralmente é efetuado por pessoas iniciadas para Oxalá, que recebem o nome de babá efum ou iyá efum. Pintar o iaô não pode ser uma tarefa
indiscriminada, existem padrões determinados que caracterizam o orixá e a sua nação.
Ela serve para que a divindade reviva as marcas identificatórias do seu passado.
A pintura inicia-se com cantiga especial e é feita no corpo inteiro, com desenhos especiais no rosto, nas orelhas, nos olhos e no orí.
Precisa ser realizada com carinho, amor e perfeição, necessitando também de certa delicadeza e refinamento.
Tudo para mostrar ao público toda a beleza deste momento único, tão singular e sagrado para o iaô e também para todos os componentes do candomblé!