17/08/2026
JORNAL MESSIÂNICO — DOMINGO, 16 DE AGOSTO DE 2026
O TERROR DOS ROMANOS E SEU LÍDER ÍMPIO
A interpretação de Habacuc nos Manuscritos de Qumran descreve os Quitim como uma potência militar que avançaria sobre as nações com velocidade, violência e arrogância.
QUMRAN — Entre os textos preservados nos Manuscritos do Mar Morto encontra-se um comentário sobre o livro de Habacuc que relê as palavras do profeta à luz dos acontecimentos de seu próprio tempo. Nas colunas III a V, a figura dos invasores de Habacuc é identificada com os Quitim (Kittim), tradicionalmente associados, nesse comentário, aos romanos.
A descrição é severa.
Os invasores aparecem como uma força que atravessa grandes distâncias, conquista cidades, cerca fortalezas e submete reis. Sua velocidade é comparada à de leopardos e à de lobos, enquanto sua aproximação é semelhante à de uma águia que se lança sobre a presa.
«“E eles zombam dos reis, e os príncipes são para eles motivo de riso.”»
Para o intérprete de Qumran, não se trata simplesmente de uma campanha militar. O avanço dos Quitim representa uma demonstração brutal de poder imperial. Eles confiam em sua força, desprezam os governantes das nações e atribuem a própria vitória ao seu deus.
UM PODER QUE PARECE INVENCÍVEL
Habacuc, porém, não termina sua visão diante da aparente invencibilidade do conquistador.
O profeta levanta uma pergunta diante de Deus:
Como pode o Santo permitir que uma nação ímpia devore povos mais justos do que ela?
Essa tensão permanece no centro da passagem. O conquistador pode receber autoridade para executar juízo, mas isso não significa que ficará livre do próprio julgamento.
A interpretação qumrânica afirma que Deus não abandonará Seu povo. O poder estrangeiro pode ser usado como instrumento de disciplina, mas nenhum império permanece soberano diante do Senhor.
O LÍDER ÍMPIO E A SOBERBA DO PODER
A Coluna IV volta sua atenção aos governantes dos Quitim. Eles avançam conforme o conselho de sua própria casa, enquanto seus exércitos esmagam aqueles que encontram pelo caminho.
O retrato é de uma liderança marcada pela astúcia, violência e soberba.
O perigo não está apenas no exército, mas no espírito daqueles que o comandam: quando o instrumento começa a atribuir sua força ao próprio poder, o juízo se aproxima.
A mensagem de Habacuc permanece contundente:
Nenhum líder é grande demais para ser julgado por Deus.
O MISTÉRIO DO JUÍZO
A Coluna V conduz a interpretação para uma questão ainda mais profunda. O profeta reconhece Deus como eterno, santo e soberano:
“Não és tu desde a eternidade, ó SENHOR, meu Deus, meu Santo?”
O conquistador pode dominar cidades, derrubar fortalezas e humilhar reis, mas não pode escapar do governo daquele que está acima dos impérios.
O comentário de Qumran apresenta justamente essa tensão: Deus permite que poderes humanos exerçam juízo, mas esses mesmos poderes continuam sujeitos ao Juiz Supremo.
A LIÇÃO PARA OS ÚLTIMOS DIAS
A leitura messiânica dessa passagem aponta para uma verdade que atravessa toda a Escritura:
O poder humano pode se levantar como uma tempestade, mas somente Deus determina onde ela termina.
Roma passou. Seus exércitos passaram. Seus governantes passaram. Suas fortalezas caíram.
Mas a palavra do Senhor permanece.
O terror dos impérios não é a última palavra da história.
O último tribunal pertence ao Deus Santo.
«“Tu os puseste para juízo, e tu, ó Rocha, os fundaste para castigo.”
— Habacuc 1:12»
EDITORIAL MESSIÂNICO
Os Quitim representam, no comentário de Habacuc de Qumran, o poder imperial que parece impossível de deter. Porém, diante do Eterno, até o maior dos conquistadores continua sendo apenas uma criatura.
O império pode conquistar a terra.
Pode humilhar reis.
Pode destruir fortalezas.
Mas não pode conquistar o trono de Deus.
A história pertence ao Senhor — e o último julgamento também.