08/08/2026
Tive um amigo que ganhou uma bolsa para estudar no Canadá. Depois de três anos no estrangeiro, regressou renovado, cheio de vida e novas ideias.
Quando o visitei, brinquei:
"Então, Toda essa comida fez-te engordar? Mudaste muito, pá!"
Rimos os dois.
Ele sorriu e respondeu:
"Se visses a diferença entre Angola e o Canadá, até chorarias. Só o sistema escolar já te obriga a respeitar-te."
Fiquei curioso.
"Como assim?" – perguntei.
E então ele contou algo que me marcou profundamente.
"Na minha escola no Canadá, os professores não dão zero. Mesmo quando um aluno se sai mal, arranjam sempre uma forma de o incentivar. A nota mínima é 40%."
Fiquei surpreendido.
"Mesmo que o aluno escreva quase nada, ainda assim recebe 40%?"
Ele assentiu.
"Sim. E um dia perguntei ao meu professor porquê. Disse-lhe: ‘Professor, por que não dar zero? Não é esse o castigo do fracasso?’"
O professor respondeu-lhe com uma humanidade que mudou o seu olhar sobre a educação:
"Nenhum ser humano merece zero. Como posso dar zero a alguém que acorda cedo todos os dias para vir aprender? Como posso dar zero a quem tenta, mesmo quando ainda não consegue? Aqui, não avaliamos apenas respostas
–reconhecemos o esforço. Porque todos merecem sentir-se valorizados."
O meu amigo fez uma pausa e disse:
" Naquele dia entendi o verdadeiro significado da educação. Lá não ensinam apenas livros. Ensinam valores."
As palavras dele fizeram-me recordar a minha infância.
Muitos de nós crescemos num sistema onde a humilhação parecia normal. Onde um zero era motivo de exposição e vergonha. Onde a disciplina era confundida com dureza.
Hoje percebo: muitos não falharam por falta de inteligência, mas porque foram levados a acreditar que não tinham valor.
A verdade é simples:
🔸 Os zeros destroem a confiança.
🔸 A vergonha mata o interesse.
🔸 E um aluno que acredita que não vale nada, deixa de tentar.
Por isso: Professores, pais e educadores,precisamos mudar a forma como ensinamos.