18/01/2021
Natalia Ginzburg (1916/1991), é uma das "minhas" escritoras favoritas. Dela devorei o maravilhoso "Léxico Familiar", "As Pequenas Virtudes", " Caro Michele" e "A Família Manzoni", todos relançados nos últimos anos e comprados em livrarias de livros novos. Há poucos dias uma conhecida me falou de seu encantamento lendo "Todos os nossos ontens", fora de catálogo há muitos anos e lançado no final do ano passado pela "TAG" para os seus assinantes. Fiquei louca para lê-lo, e, é claro, achei num sebo, via Estante Virtual. No meu caso foi uma edição do Círculo do Livro, com o título "Todas as nossas lembranças". O livro é apaixonante! Segundo a pequena biografia que o acompanha, " as novelas de Natalia Ginzburg, escritora italiana de origem judia, caracterizam-se por um estilo introspectivo, em que, por meio de uma narrativa bela e elegante semelhante a uma pintura impressionista, consegue transmitir os mais complexos sentimentos do ser humano; seu estilo oscila entre a ironia sutil e uma espécie de compreensão poética do mundo".
Um trecho muito representativo é o que dá desfecho a esse belíssimo livro:
"...Giuma tinha arranjado um pedestal como mulher, disse Giustino, um verdadeiro pedestal, e todos aqueles botõezinhos, ele tinha contado, cinquenta e seis. E riram um pouco, os três juntos - Anna, Emanuele e Giustino eram muito amigos, e sentiam-se muito contentes de estarem ali, os três, pensando nos que tinham morrido, na longa guerra, na dor, nos clamores e na longa vida que tinham pela frente, difícil, repleta de coisas que eles não sabiam fazer".