PREFÁCIO
Mais um desses loucos que não querem se calar diante das injustiças. Alexandre Machado denuncia a dura realidade do cotidiano. Ora em forma de desabafo, ora com o dedo na ferida social, ao longo das páginas desse livro percebe-se a constante vontade de transformação da civilização e, portanto e inicialmente, de transformação do ser humano. Fruto colhido após uma das ferramentas que Alexa
ndre usa para desentortar um pouco o mundo, às vezes a golpes duros, mas sempre sem perder a ternura do pai, o carinho do amante e a encenação do ator social, improvisando nesse grande palco que é a vida. Este livro dói. Incomoda. Nunca é fácil acordar e abrir os olhos: é sempre aparentemente melhor deixar tudo como está,mas Ainda não permite isso. Ainda quer mais. Ainda deseja o que não pode ser. Ainda espera pelo que não pode, mas deve, haver. Ainda lança aos quatro ventos sementes que anseiam por um solo fértil. Ainda conhece e aprecia os momentos de sol, mas não se olvida dos momentos de chuva. Cada poema, cada verso traz em si o trabalho desse fotógrafo de uma sociedade a ser transformada, desse poeta de dupla face, profeta de um futuro Ainda por nascer. Alexandre descreve,descrê e escreve um mosaico da vida: a indignação justa, o cansaço do existir, a saudade dos amigos, a bem conhecida situação política do país, a conscientização ecológica, as visões de um amanhã que Ainda está despontando no horizonte, as reflexões que surgiram em noites não dormidas, os pensamentos das horas de tédio, a saudade dos momentos de amor, a tristeza dos noticiários, a revolta contra o comum, contra aquele erro que é aceito como natural somente por estar generalizado, a denúncia daqueles que com seu trabalho perpetuam a máquina falida do mundo, e os sonhos de uma alma inquieta, descontente. A presente obra, que não é a primeira e não será a última, bem que poderia ser considerada como um poema só, dividido em várias partes que se complementam num todo quase coeso.Quase, porque Ainda é um raio X do mundo, do interno e do concreto e, como tal, precisa ser finalizado,está pela metade. Mas Ainda é um livro que só terminará quando cair nas mãos do leitor e este for à luta, completando assim o trabalho do poeta que há muito está no campo de batalha. Pablo Lupinacci Carneiro