21/08/2026
Álvaro d’Ors foi romanista espanhol, professor em Santiago de Compostela e Pamplona, e passou a vida a extrair da jurisprudência romana instrumentos para pensar o presente. Morreu em 2004 com obra vasta e circulação quase nula fora dos círculos de direito romano e filosofia política ibérica.
A distinção que propôs entre auctoritas e potestas demonstra grande acuidade. Autoridade, para ele, é o saber que a sociedade reconhece como legítimo e real; poder é a força que a sociedade reconhece como vigente.
As duas podem coexistir na mesma instituição, mas não são a mesma coisa; e o que Álvaro d’Ors diagnosticou no Estado moderno foi precisamente a absorção da primeira pela segunda. Quando o poder não precisa mais do saber para se legitimar, torna-se ilimitado por falta de qualquer instância externa de autoridade e, portanto, supervisão e controle.
Quando poderes equilibram-se entre si, é uma tendência que um queira suprimir o outro.
Você já viu isso acontecendo?
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