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Cecília Meireles – DestinoPastora de nuvens, fui posta a serviçopor uma campina desamparadaque não principia e também nã...
05/06/2013

Cecília Meireles – Destino

Pastora de nuvens, fui posta a serviço
por uma campina desamparada
que não principia e também não termina,
onde nunca é noite e nunca madrugada.

(Pastores da terra, vós tendes sossego,
que olhais para o sol e encontrais direção.
Sabeis quando é tarde, sabeis quando é cedo.
Eu, não.)

Pastora de nuvens, por muito que espere,
não há quem me explique meu vário rebanho.
Perdida atrás dele na planície aérea,
não sei se o conduzo, não sei se o acompanho.

(Pastores da terra, que saltais abismos,
nunca entendereis a minha condição.
Pensais que há firmezas, pensais que há limites.
Eu, não.)

Pastora de nuvens, cada luz colore
meu canto e meu gado de tintas diversas.
Por todos os lados o vento revolve
os velos instáveis das reses dispersas.

(Pastores da terra, de certeiros olhos,
como é tão serena a vossa ocupação!
Tendes sempre o indício da sombra que foge…
Eu, não.)

Pastora de nuvens, esqueceu-me o rosto
do dono das reses, do dono do prado.
E às vezes parece que dizem meu nome,
que me andam seguindo, não sei por que lado.

(Pastores da terra, que vedes pessoas
sem serem apenas de imaginação,
podeis encontrar-vos, falar tanta coisa!
Eu, não)

Pastora de nuvens, com a face deserta,
sigo atrás de formas com feitios falsos,
queimando vigílias na planície eterna
que gira debaixo dos meus pés descalços.

(Pastores da terra, tereis um salário,
e andará por bailes vosso coração.
Dormireis um dia como pedras suaves.
Eu, não.)

Na prateleira:Politeness: Some Universals in Language Usage - R$ 150,00
05/06/2013

Na prateleira:
Politeness: Some Universals in Language Usage - R$ 150,00

Na Prateleira - Comunicação em prosa moderna - R$ 20,00
04/06/2013

Na Prateleira - Comunicação em prosa moderna - R$ 20,00

Hoje na prateleira virtual - Poesias de Olavo BilacSuperadas as razões dos modernistas de 1922 para o descrédito a que r...
03/06/2013

Hoje na prateleira virtual - Poesias de Olavo Bilac

Superadas as razões dos modernistas de 1922 para o descrédito a que relegaram o primeiro príncipe dos poetas parnasianos, é hora de o leitor conhecer melhor suas Poesias, cujo sucesso da primeira edição em 1888 foi imenso. Esta edição da obra foi cuidadosamente organizada, fixada e prefaciada por Ivan Teixeira, da USP, que a completou com extensa e rara documentação iconográfica. A obra de Bilac, diz o organizador, deve também ser vista como tributária de uma tradição milenar da poesia, entendida como manifestação da retórica. Além disso, diz Teixeira, há diversas coisas na poesia brasileira que não entendemos sem ler a poesia de Bilac - o extenso e recorrente diálogo da poesia brasileira contemporânea com ela, por exemplo.


editora: Martins Fontes
ano: 2001
autor: Olavo Bilac
estante: Poesia
peso: 505g
descrição: livro novo
preço: R$ 70,00 + frete

POEMA DO MAIS TRISTE MAIOMeus amigos, meus inimigos, Saibam todos que o velho bardo Está agora, entre mil perigos, Comen...
31/05/2013

POEMA DO MAIS TRISTE MAIO

Meus amigos, meus inimigos,
Saibam todos que o velho bardo
Está agora, entre mil perigos,
Comendo, em vez de rosas, cardo.

Acabou-se a idade das rosas!
Das rosas, dos lírios, dos nardos
E outras espécies olorosas:
É chegado o tempo dos cardos.

E passada a sazão das rosas,
Tudo é vil, tudo é sáfio, árduo.
Nas longas horas dolorosas
Pungem fundo as puas do cardo.

As saudades não me consolam.
Antes ferem-me como dardos.
As companhias me desolam,
E os versos que me vêm, vêm tardos.

Meus amigos, meus inimigos,
Saibam todos que o velho bardo
Está agora, entre mil perigos,
Comendo, em vez de rosas, cardo.


©MANUEL BANDEIRA
In Estrela da tarde, 1960

Hoje na prateleira virtual: Antologia de Gregório de Matos - R$ 10,00.Gregório de Matos e Guerra (1636-1695), temido e r...
31/05/2013

Hoje na prateleira virtual: Antologia de Gregório de Matos - R$ 10,00.

Gregório de Matos e Guerra (1636-1695), temido e reverenciado na Bahia setecentista, conhecido como “O Boca do Inferno”, é o autor de uma poesia ferina e virulenta, sempre pronta a atacar os poderosos, os moralistas, os dogmas e os “bons costumes”. É também o melhor exemplo do estilo barroco na literatura brasileira, e atingiu uma importância estética que supera a mera curiosidade sobre a vida da sua época. Por isso, até hoje sua obra permanece como uma das mais malditas e rebeldes da história da literatura brasileira.
É o que comprova esta antologia poética cuidadosamente organizada e anotada por Higino Barros. Gregório de Matos nasceu em Portugal e formou-se pela Universidade de Coimbra. Reveses da vida trouxeram-no para a Bahia, quando já beirava os cinqüenta anos. Suas invectivas sobre desafetos pessoais e políticos valeram-lhe uma deportação para Angola, de onde voltou para, um ano após, morrer, em Recife.

editora: L&pm
ano: 1999
estante: Literatura brasileira
peso: 180g
cadastrado em: 21 de março de 2013
descrição: Ótimo estado
preço: R$ 10,00 + frete

31/05/2013

Documentário Baseado no poema "Passargada" de Manuel Bandeira Direção Direção: Sabino, Fernando; Neves, David Fotografia Direção de fotografia: Neves, David ...

Continuando com Bilac:A um poetaLonge do estéril turbilhão da rua,Beneditino escreve! No aconchegoDo claustro, na paciên...
31/05/2013

Continuando com Bilac:

A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

Olavo Bilac

31/05/2013

O Homem; As Viagens Carlos Drummond de Andrade O homem, bicho da terra tão pequeno Chateia-se na terra Lugar de muita miséria e pouca diversão, Faz um foguet...

Destes que campam no mundo Sem ter engenho profundo E, entre gabos dos amigos, Os vemos em papafigos Sem tempestade, nem...
29/05/2013

Destes que campam no mundo
Sem ter engenho profundo
E, entre gabos dos amigos,
Os vemos em papafigos
Sem tempestade, nem vento:

Anjo Bento!

De quem com letras secretas
Tudo o que alcança é por tretas,
Baculejando sem pejo,
Por matar o seu desejo,
Desde a manhã té à tarde:

Deus me guarde!

Do que passeia farfante,
Muito prezado de amante,
Por fora luvas, galões,
Insígnias, armas, bastões,
Por dentro pão bolorento:

Anjo Bento!

Destes beatos fingidos,
Cabisbaixos, encolhidos,
Por dentro fatais maganos,
Sendo nas caras uns Janos:
Que fazem do vício alarde:

Deus me guarde!

Que vejamos teso andar
Quem mal sabe engatinhar,
Muito inteiro e presumido,
Ficando o outro abatido
Com maior merecimento:

Anjo Bento!

Destes avaros mofinos,
Que põem na mesa pepinos,
De toda a iguaria isenta,
Com seu limão e pimenta,
Porque diz que o queima e arde:
Deus me guarde!

Gregório de Matos

Nosso Blog
29/05/2013

Nosso Blog

“No centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo!” J. G. Rosa. Embrenhe-se nessas Veredas poéticas! Venha ajuizar-se nas doideiras literárias, em busca do "centro do Sertão".

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