26/11/2019
A estimativa é que o Brasil produza por ano 170 mil toneladas de retalhos. O maior produtor é São Paulo que responde por 30% da indústria têxtil. Atualmente, cerca de 80% do material ainda são direcionados aos aterros sanitários do país. Um desperdício que poderia estar gerando renda e promovendo o estabelecimento de mais negócios sustentáveis.
Uma das alternativas, aplicando o conceito de Mottainai e aproveitar os retalhos que sobram da indústria têxtil é o Boro.
O boro é uma técnica que surgiu no Japão, por necessidade, como forma de usar uma peça até o final de sua vida útil. Retalhos de diferentes tecidos são utilizados para restaurar ou criar uma nova peça.
Com o boro, cada peça conta uma história única de sua vida útil. Os padrões usados para unir os tecidos são cuidadosamente desenhados e há um movimento de reflexão de quem costura para com a história da roupa, sua utilidade e as possibilidades que cada item ainda oferece.
A história do boro se inicia no Japão dos séculos XVIII e XIX, época em que o algodão era um luxo de uso exclusivo da nobreza. Os que não faziam parte deste pequeno grupo se vestiam com fibras mais rústicas que duravam menos. Assim, fazendo uso desta técnica, conseguiam reforçar as fibras para que ela durasse mais. Com isso, o tecido era usado até o final de sua vida útil.
Era comum que uma peça começasse como um quimono, se tornasse uma roupa do dia a dia, passando posteriormente para uma fronha, capa de futon, uma sacola e terminasse seu ciclo como um pano de chão.
Cada retalho era usado até acabar, prezando todo o valor intrínseco de um objeto, expressando pesar pelo desperdício. Ou seja, vivendo e aplicando o Mottainai.
Fonte e foto: 1millionwomen