23/12/2025
Enquanto eu cozinho, ele f**a aqui.
No meu corpo. No meu ritmo. No meu cheiro.
Não pra facilitar a rotina.
Mas pra viver a rotina junto.
No livro Por que o amor é importante, tem uma frase que atravessou a minha forma de criar:
“Ser amorosamente segurado no colo é o maior destino para o desenvolvimento — maior até do que a própria amamentação.”
Porque o colo não alimenta só o corpo.
Ele organiza o sistema nervoso.
Ensina segurança antes das palavras.
Mostra que o mundo pode ser confiável enquanto a vida acontece.
Enquanto minhas mãos cortam os legumes,
o corpo dele aprende calma.
Enquanto o fogo esquenta a panela,
o vínculo esquenta a memória.
O colo não é pausa da rotina.
É a rotina feita com presença.
Aqui em casa, o não é só um carregador.
É o jeito que a gente encontrou de continuar vivendo —
sem separar cuidado de convivência,
sem escolher entre fazer ou estar.
Ele cresce observando, sentindo, participando.
E eu sigo sendo eu,
sem deixar de ser pai.
Porque no fim, não é sobre dar colo quando sobra tempo.
É sobre construir amor enquanto o tempo passa.