René Guénon Irget

René Guénon Irget René Guénon no IRGET - catálogo com dezenove das principais obras publicadas em português. RENEGUENON.NET Schuon, Julius Evola, Rama Coomaraswamy. S. H.

Instituto de Estudos Tradicionais fundado há mais de trinta anos por Luiz Pontual. Cursos, editora e livraria on line com catálogo que inclui René Guénon, F. Nasr, entre outros.

Videoconferência recente sobre a “Odisseia”, de Homero, ministrada pelo Prof. Mateus Soares de Azevedo.
01/08/2026

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Neste encontro, Mateus Soares de Azevedo aborda a Odisseia de Homer...

27/07/2026

"*No Cristianismo, é o Batismo, o Crisma e a Comunhão que constituem o que pode ser chamado de iniciação*; o caráter total destes sacramentos exclui a existência, ao lado deles, de ritos iniciáticos mais ou menos secretos que lhe seriam sobrepostos, como há no Orfismo, no Sufismo, etc. A peculiaridade do Cristianismo é precisamente esse caráter aberto dos meios iniciáticos; é, pelo menos, uma particularidade no mundo semítico e ocidental. Nesse ponto, há divergência entre a tese de Guénon e a minha. *Não se pode conceber, de fato, que possa haver, no Cristianismo, uma fonte de graça mais profunda e mais preciosa do que o sangue de Cristo, ou que possa haver almas ou inteligências para as quais esta fonte não seria suficientemente boa*. A diferença entre exoterismo e esoterismo é, aqui, apenas uma questão de perspectiva e método. Há, é claro, uma participação puramente exotérica nos sacramentos, de modo que não se poderia, sem abuso de linguagem, qualificar a massa dos cristãos de "iniciados", mas os religiosos são iniciados pelo fato de seguirem uma via espiritual; o mesmo vale para sacerdotes santos, como o Cura d'Ars. *Quanto à via intelectiva, a gnose, ela é representada, sobretudo, por Clemente de Alexandria, Mestre Eckhart e Angelus Silesius; mas é sempre uma gnose especificamente cristã, isto é, mantendo-se muito próxima da perspectiva do amor.*

Frithjof Schuon

28/06/2026

Entrevista concedida pelo Prof. Mateus Soares de Azevedo ao diário Gazeta do Norte de Minas, falando sobre René Guénon, Frithjof Schuon, filosofia perene, Luiz Pontual e o IRGET.

ENTREVISTA | Dos cafezais paulistas ao Congresso de Lima: a trajetória da Filosofia Perene no Brasil
junho 2, 2026
gazetanm

POR JOÃO PEDRO RODRIGUES SILVA

Em tempos de polarização política, excesso de informação e crescente busca por sentido, uma antiga corrente de pensamento volta a despertar interesse em diferentes partes do mundo. Conhecida como Filosofia Perene, ela defende que as grandes tradições espirituais da humanidade compartilham princípios universais e permanentes.

Pouca gente sabe, porém, que a história dessa corrente no Brasil começou longe das universidades e dos grandes centros urbanos. Suas raízes estão nos cafezais do interior paulista, onde um fazendeiro brasileiro manteve contato direto com alguns dos principais nomes do pensamento tradicionalista do século XX.

Décadas depois, esse legado ganharia novo impulso em um congresso internacional realizado em Lima, no Peru, reunindo intelectuais que ajudariam a formar uma geração de estudiosos brasileiros.

Para contar essa trajetória pouco conhecida — marcada por personagens influentes, debates religiosos, controvérsias políticas e reflexões sobre a crise da modernidade — conversamos com o escritor e tradutor Mateus Soares de Azevedo, um dos principais divulgadores da Filosofia Perene em língua portuguesa e testemunha direta de momentos importantes dessa história.

“Schuon é um autor de alcance verdadeiramente universal”

JOÃO PEDRO RODRIGUES SILVA: O senhor traduziu mais de uma dezena de obras de Frithjof Schuon. Quais são os maiores desafios desse trabalho?

MATEUS SOARES DE AZEVEDO: Traduzir Frithjof Schuon é uma tarefa exigente porque estamos diante de um autor extraordinariamente complexo e profundo. Seus livros constituem, a meu ver, uma onda única de luz que brilha nas trevas das sociedades individualistas, materialistas e relativistas do Ocidente moderno. Eles oferecem ao leitor contemporâneo uma visão abrangente das grandes tradições religiosas da humanidade e procuram restituir uma dimensão metafísica que, em larga medida, foi obscurecida pela mentalidade moderna.

Schuon não é um acadêmico convencional. Sua escrita reúne rigor filosófico, profundidade espiritual e refinamento literário. Com um estilo, digamos, “teúrgico”, pessoas sem formação acadêmica, mas espiritualmente despertas, também estão entre seus leitores. Ele transita com naturalidade entre temas tão diversos quanto o Vedanta hindu, o sufismo islâmico, a mística cristã, o simbolismo tradicional, as culturas indígenas americanas e a metafísica platônica.

Diferentemente de René Guénon, cuja obra possui uma estrutura mais sistemática e analítica, Schuon escreve de forma mais contemplativa e poética. Isso torna a tradução especialmente delicada. O tradutor precisa preservar simultaneamente a precisão conceitual e a beleza literária do texto.

Outro desafio importante diz respeito à terminologia. Conceitos como “unidade transcendente das religiões”, “ecumenismo esotérico”, “esoterismo”, “exoterismo” ou “transparência metafísica” possuem sentidos muito específicos dentro da Filosofia Perene. Não se trata de expressões vagas ou meramente sugestivas. Elas correspondem a uma linguagem filosófica construída ao longo de décadas por autores como Guénon e Schuon.

Traduzir essas obras exige, portanto, não apenas conhecimento linguístico, mas também familiaridade profunda com a tradição intelectual à qual pertencem.

O pioneiro esquecido

JOÃO PEDRO RODRIGUES SILVA: Quando falamos em Filosofia Perene no Brasil, qual é o primeiro nome que deve ser lembrado?

MATEUS SOARES DE AZEVEDO: Sem dúvida alguma, Fernando Guedes Galvão. Hoje poucas pessoas conhecem sua história, mas ele desempenhou um papel pioneiro. Galvão era um produtor rural do interior paulista que, durante suas viagens à Europa, entrou em contato com René Guénon em 1929. Tornou-se seu amigo, correspondente e discípulo.

Ao retornar ao Brasil, dedicou-se a traduzir e divulgar as obras de Guénon e, posteriormente, de Frithjof Schuon. Foi graças a ele que títulos fundamentais como A Crise do Mundo Moderno (1948) e A Unidade Transcendente das Religiões chegaram pela primeira vez ao leitor brasileiro.

O problema é que o contexto cultural brasileiro da época não era favorável à recepção dessas ideias. Galvão trabalhou praticamente sozinho. Não existiam instituições, editoras especializadas ou círculos organizados capazes de dar continuidade ao seu esforço.

Por essa razão, apesar de sua importância histórica, ele acabou permanecendo relativamente isolado até sua morte, em 1982.

O Congresso de Lima e uma nova geração

JOÃO PEDRO RODRIGUES SILVA: Como surgiu a segunda geração de perenialistas brasileiros?

MATEUS SOARES DE AZEVEDO: Curiosamente, ela surgiu sem qualquer vínculo direto com Fernando Guedes Galvão. Nos anos 1980 havia algumas pessoas espalhadas pelo país interessadas na obra de Guénon, mas sem conexão entre si. O ponto de encontro acabou sendo o Congresso Internacional de Filosofia Perene realizado em Lima, em agosto de 1985. Ali estavam reunidos alguns dos maiores representantes mundiais da corrente perenialista: Martin Lings, Seyyed Hossein Nasr, Rama Coomaraswamy, Huston Smith, Victor Danner e Joseph Brown. Também se fez presente o padre peruano Gustavo Gutiérrez, expoente da teologia da libertação, que veio debater com Rama Coomaraswamy. Para nós, brasileiros, aquele encontro foi transformador. Não apenas tivemos contato direto com esses autores, mas pudemos estabelecer amizades e intercâmbios intelectuais que se prolongaram por décadas. Foi nesse congresso que conheci o livro Sabedoria Tradicional e Superstições Modernas, de Martin Lings, que posteriormente traduzi. Traduzi também A Destruição da Tradição Cristã, de Rama Coomaraswamy.

Foi a partir dessa experiência que passei a traduzir sistematicamente os principais autores da tradição perenialista: Frithjof Schuon, Titus Burckhardt, René Guénon, Rama Coomaraswamy, Martin Lings, William Stoddart e outros. Desde os anos 1980 até hoje, publiquei onze livros e cerca de duzentos ensaios e artigos em jornais brasileiros e revistas internacionais. Meu livro Homens de um Livro Só recebeu em 2010 o prêmio literário americano de melhor livro na categoria religião comparada. O objetivo sempre foi criar um público leitor em língua portuguesa e inserir o Brasil em um diálogo intelectual que já existia em outros países.

As polêmicas sobre o Congresso

JOÃO PEDRO RODRIGUES SILVA: Alguns críticos afirmam que o Congresso de Lima teria sido uma tentativa de promover o Islã na América Latina. Como o senhor responde a essa acusação?

MATEUS SOARES DE AZEVEDO: Essa interpretação não corresponde ao que ocorreu. Eu participei do congresso e posso afirmar que jamais presenciei qualquer tentativa de conversão religiosa ou atividade secreta destinada à propagação do Islã. Quem também estava presente era Olavo de Carvalho. Naquela época, ele era adepto do Islã. Posteriormente surgiu uma narrativa — talvez difundida pelo próprio Olavo — segundo a qual, durante o dia, o congresso promovia debates inter-religiosos e, à noite, seus participantes vestiam jellabas e participavam de cerimônias islâmicas reservadas. Isso simplesmente não aconteceu. Como cristão, jamais fui convidado para qualquer cerimônia desse tipo, assim como nenhum dos demais participantes não muçulmanos.

Havia participantes cristãos, católicos, ortodoxos, budistas e representantes de outras tradições religiosas. Nenhum deles foi convidado para qualquer atividade dessa natureza.

A acusação deriva de uma incompreensão mais ampla sobre o próprio perenialismo. Alguns críticos passaram a afirmar que Guénon e Schuon desejavam promover uma suposta islamização do Ocidente. Essa leitura ignora completamente a diversidade religiosa presente entre os próprios autores perenialistas.

Existem importantes representantes cristãos da Filosofia Perene, como Rama Coomaraswamy, Wolfgang Smith, Jean Borella, James Cutsinger e Jean Biès, entre muitos outros.

Machu Picchu e os encontros informais

JOÃO PEDRO RODRIGUES SILVA: Após o congresso houve outros encontros menores. Qual foi a importância deles?

MATEUS SOARES DE AZEVEDO: Depois de Lima ocorreram reuniões em Cusco e Machu Picchu. Curiosamente, Olavo de Carvalho e os demais brasileiros não puderam participar, e eu acabei sendo o único brasileiro presente. Eles foram particularmente valiosos porque proporcionaram uma convivência mais próxima com alguns dos autores presentes, especialmente Martin Lings.

Foi durante essas conversas informais que pude conhecer aspectos mais humanos e pessoais de figuras que até então eu conhecia apenas através dos livros.

Essas experiências acabaram inspirando um ensaio que escrevi anos depois, intitulado “Com Martin Lings em Machu Picchu” (publicado também em inglês na revista Sacred Web).

Luiz Pontual e o trabalho editorial

JOÃO PEDRO RODRIGUES SILVA: Qual foi a contribuição de Luiz Pontual para a consolidação dos estudos perenialistas no Brasil?

MATEUS SOARES DE AZEVEDO: Sua contribuição foi enorme. Pontual foi um dos grandes responsáveis pela preservação e difusão da obra de René Guénon no Brasil. O Instituto René Guénon de Estudos Tradicionais (IRGET), fundado por ele em 1984, tornou-se um importante centro de tradução, publicação e estudo das obras tradicionais. Graças ao seu trabalho, praticamente toda a obra de Guénon está hoje disponível em português.

Pontual possuía um perfil bastante rigoroso e era profundamente comprometido com a crítica guenoniana da modernidade. Interessava-se particularmente pelos debates envolvendo materialismo, positivismo, marxismo, freudismo e darwinismo. Curiosamente, ele não era praticante de nenhuma tradição ortodoxa, vindo a aproximar-se do catolicismo tradicional ao fim da vida. Luiz Pontual faleceu em 2021.

Guénon e Schuon: duas personalidades distintas

JOÃO PEDRO RODRIGUES SILVA: É correto afirmar que Guénon era essencialmente um metafísico e Schuon um poeta da metafísica?

MATEUS SOARES DE AZEVEDO: A distinção ajuda a compreender certos aspectos de ambos, mas precisa ser feita com cautela. Guénon e Schuon foram, antes de tudo, metafísicos e filósofos espirituais. Ambos partilhavam uma crítica profunda à modernidade e um grande respeito pelas tradições religiosas. A diferença principal está no estilo.

Guénon possui uma escrita mais lógica, analítica e quase matemática. Seu objetivo é esclarecer princípios. Já Schuon apresenta uma escrita mais literária, intuitiva e contemplativa. Além disso, Schuon também foi um pintor inspirado, enquanto Guénon não tinha interesse em dar orientação espiritual nem em ter discípulos — algo a que Schuon não se opôs.

Entretanto, seria inadequado definir Schuon apenas como poeta ou literato. Sua principal identidade intelectual continua sendo a de um metafísico universalista.

O perenialismo e as ciências sociais contemporâneas

JOÃO PEDRO RODRIGUES SILVA: Ainda existe espaço para os autores perenialistas no debate acadêmico contemporâneo?

MATEUS SOARES DE AZEVEDO: Acredito que sim. Uma das questões centrais da Filosofia Perene é justamente a análise crítica da modernidade. E esse continua sendo um tema extremamente atual nas ciências sociais. Muitas das críticas mais certeiras ao “reino da quantidade”, ao cientificismo, ao relativismo, ao individualismo, à falsificação da religião pelo modernismo, ao fundamentalismo, ao psicologismo, ao pós-modernismo e ao identitarismo vieram de fontes perenialistas.

Vivemos em uma época marcada por debates sobre secularização, identidade cultural, crise de valores, religião, tecnologia e globalização. Os autores perenialistas oferecem interpretações originais desses fenômenos.

Naturalmente, nem todos concordarão com suas conclusões. Mas isso não diminui sua relevância como interlocutores intelectuais.

O estudo da obra de Guénon, Schuon, Lings, Nasr ou Coomaraswamy pode contribuir para ampliar o horizonte das discussões acadêmicas e enriquecer nossa compreensão das relações entre tradição, religião e modernidade.

Ao longo das últimas quatro décadas, procuramos construir no Brasil um público leitor capaz de dialogar seriamente com essas ideias. Considero que esse trabalho produziu frutos importantes e continua em desenvolvimento.

Como costumava lembrar René Guénon por meio de uma inscrição mantida sobre sua mesa de trabalho no Cairo: “Não há vencedor senão Deus.”

28/05/2026

"Velha lenha, vinho velho, livros velhos e velhos amigos é que fazem a vida feliz, diz um ditado português. E dentre os quatro, de fato, são talvez os livros os que mais podem nos dar a felicidade, que vem do conhecimento da verdade. E os que mais podem nos levar à desgraça de aderir à mentira e ao erro. "Porque os livros são arma também", diz Dom Bosco. E não só armas. São também armadura, como são também alimento e podem também ser veneno".

(Flos Carmeli)

Remessas de hoje: cinco preciosidades para os amigos João de Jesus em Ilha da Madeira, Portugal; e uma para André Lombos...
11/02/2026

Remessas de hoje: cinco preciosidades para os amigos João de Jesus em Ilha da Madeira, Portugal; e uma para André Lombosco em Nova Friburgo, Rio.

07/01/2026

René Guénon morreu em 7 de janeiro de 1951.

Seu trabalho continua sendo uma das críticas mais lúcidas e implacáveis da modernidade, suas ilusões progressivas e desprezo espiritual.

Contra a corrente do seu tempo e ainda mais do nosso, ele reafirmou a existência de uma verdade metafísica imutável, estranha a ideologias, compromissos e modas.

Celebrar a sua memória hoje é recusar-se a confundir agitação com conhecimento, espiritualidade com sentimentalismo, tradição com folclore.

Através de seus escritos, Guénon nunca procurou seduzir, mas lembrar, com rigor, que qualquer verdade primordial supera o homem e as circunstâncias.

Hoje, seu trabalho continua acompanhando aqueles que buscam clareza ao invés de conforto.

As abordagens de René GuénonA trilogia que escreve Guénon para criticar o mundo moderno começa com "Oriente e Ocidente",...
02/01/2026

As abordagens de René Guénon

A trilogia que escreve Guénon para criticar o mundo moderno começa com "Oriente e Ocidente", continua com "A crise do mundo moderno" e conclui com "O reino da quantidade e os sinais dos tempos". O segundo complementa o primeiro e o terceiro aprofunda a questão dando-lhe uma dimensão muito mais profunda. A crise moderna é a fase da desordem máxima dentro da fase em que se encontra a humanidade terrestre. É o Kali-yuga segundo a terminologia hindu dos ciclos cósmicos em que se baseia René Guénon.

Nosso Instituto, fundado em 1984 em São Paulo, Brasil, tem por objetivo o estudo e ensino da obra de René Guénon, porta segura para a compreensão do autêntico conhecimento oriental. Publicamos apostilas, artigos e livros de nossa escola e também realizamos traduções, em um esforço para torn...

31/12/2025

As abordagens de René Guénon

A exposição dos princípios metafísicos é elaborada por René Guénon basicamente em três livros. O primeiro é "O homem e o seu devir segundo o Vedanta". Aqui ele faz isto na perspectiva de uma tradição, a hindu, e focado no antropológico. Vem então "O simbolismo da cruz", onde expõe o sentido metafísico da cruz através do vedanta e outras tradições (islã, taoísmo) e, claro, o cristianismo e o seu sentido histórico. A cruz como o local de encontro entre o horizontal e o vertical. Finalmente, "Os estados múltiplos do ser" completa a trilogia com sua metafísica de vários estados.

25/10/2025

“A força do homem está nos músculos, mas existe outra força que está na alma: a força moral.
A força moral é a força de contrariar o meu corpo e fazer não o que eu quero fazer, mas fazer o que eu devo fazer.”
Pe. Paulo Ricardo

LA CONFUSION DU PSYCHIQUE ET DU SPIRITUEL     Ce que nous avons dit au sujet de certaines explications psychologiques de...
23/10/2025

LA CONFUSION DU PSYCHIQUE ET DU SPIRITUEL
Ce que nous avons dit au sujet de certaines explications psychologiques des doctrines traditionnelles représente un cas particulier d’une confusion très répandue dans le monde moderne, celle des deux domaines psychique et spirituel ; et cette confusion, même quand elle ne va pas jusqu’à une subversion comme celle de la psychanalyse, assimilant le spirituel à ce qu’il y a de plus inférieur dans l’ordre psychique, n’en est pas moins extrêmement grave dans tous les cas. Il y a d’ailleurs là, en quelque sorte, une conséquence naturelle du fait que les Occidentaux, depuis longtemps déjà, ne savent plus distinguer l’« âme » et l’« esprit » (et le dualisme cartésien y est assurément pour beaucoup puisqu’il confond en une seule et même chose tout ce qui n’est pas le corps, et que cette chose vague et mal définie y est désignée indifféremment par l’un et l’autre nom) ; aussi cette confusion se manifeste-t-elle à chaque instant jusque dans le langage courant ; le nom d’« esprits », donné vulgairement à des « entités » psychiques qui n’ont certes rien de « spirituel », et la dénomination même du « spiritisme » qui en est dérivée, sans parler de cette autre erreur qui fait aussi appeler « esprit » ce qui n’est en réalité que le « mental », en seront ici des exemples suffisants. Il n’est que trop facile de voir les conséquences fâcheuses qui peuvent résulter d’un pareil état de choses : propager cette confusion, surtout dans les conditions actuelles, c’est, qu’on le veuille ou non, engager des êtres à se perdre irrémédiablement dans le chaos du « monde intermédiaire », et par là même, c’est faire, souvent inconsciemment d’ailleurs, le jeu des forces « sataniques » qui régissent ce que nous avons appelé la « contre-initiation ».

- René Guenon -

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