09/09/2021
A variante Mu (ou B.1.621) passou a ser considerada "variante de interesse" pela OMS, por ter "uma constelação de mutações que indicam propriedades potenciais de escape da imunidade", ou seja, da proteção das vacinas - o que ainda precisa ser confirmado por mais estudos, segundo o boletim da organização divulgado em 31 de agosto.
A Mu é, por enquanto, apenas uma "variante de interesse" sendo monitorada pela OMS - já as variantes Alpha, Beta, Gamma (a identificada no Brasil) e Delta são consideradas "variantes de preocupação".
"Desde que foi identificada na Colômbia, em janeiro de 2021, houve alguns registros esporádicos de casos da variante Mu e alguns surtos maiores foram relatados em outros países da América do Sul e na Europa", diz o boletim da OMS.
Por enquanto, prossegue a agência intergovernamental, a prevalência da Mu é de menos de 0,1% entre os casos sequenciados de coronavírus em todo o mundo.
Mas, localmente, sua prevalência tem "aumentado constantemente" na Colômbia e no Equador, onde responde por - respectivamente - 39% e 13% dos casos sequenciados. Esses dados, porém, devem ser lidos com cautela, diz a OMS: como a maioria dos países do mundo tem baixa capacidade de monitorar o sequenciamento genético das variantes da covid-19, o resultado das testagens existentes pode não ser tão estatisticamente representativo da população em geral.
Estima-se no momento que a Mu circule em mais de 40 países, no Brasil inclusive - já há relatos de casos confirmados por aqui.
SMas, segundo a plataforma aberta Gisaid, que compila dados genômicos virais, até o momento, dez casos da Mu foram identificados no país - de um total de quase 35 mil sequenciados, ou seja, casos em que o vírus teve sua análise genômica realizada.
No México, a Mu representa 1% dos casos sequenciados. Nos EUA, foram detectados mais de 1,7 mil casos sequenciados da Mu, o que é insuficiente para que essa linhagem tenha mais de 0% de prevalência no país.
Já na Colômbia, autoridades de saúde têm afirmado à imprensa local que a Mu já é a variante predominante em circulação no país, que por enquanto tem menos de um terço de sua população vacinada contra o vírus.
A terceira onda da covid-19 no país sul-americano, entre abril e junho, tem sido atribuída a essa variante.
Nesse período, quando a Colômbia registrou cerca de 700 mortes por dia, quase dois terços dos te**es genéticos realizados nas vítimas fatais indicaram a presença da variante Mu, declarou a uma rádio local, em 2 de setembro, Marcela Mercado, diretora de pesquisas do Instituto Nacional de Saúde.
Fonte: BBC News Brasil
Link Matéria: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-58482950