Comércios do Cafezal

Comércios do Cafezal Propagandas Mas a inadimplência está dentro do previsto. “Hoje, as pessoas não ligam mais de ter o nome no cadastro de maus pagadores. É uma prática comum.

“Dois trechos da avenida Eurico Gaspar Dutra, o principal eixo comercial e de deslocamento da região: grande fluxo, negócios consolidados” “Dois trechos da avenida Eurico Gaspar Dutra, o principal eixo comercial e de deslocamento da região: grande fluxo, negócios consolidados” Maxilene: “Só falta uma casa lotérica para pagar as contas” Olício, da farmácia: “Investi tudo aqui. São 23 anos de trab

alho” O motorista Claudinei Barbosa conhece 80% dos comerciantes do bairro: amizade ajuda na hora de negociar prazo para pagamentos Fabiana Gomes não vende fiado nunca: clientes amigos mas “negócios à parte” Carla Mendonça: “Bairro é excelente para o comércio” O corretor Alfonso dos Santos: região é mais valorizada Pedro de Souza: jornada de sucesso com fábrica e loja de confecção infantil que começaram em casa

Avenida de acesso ao bairro concentra lojas e serviços variados, uma comodidade para moradores

Segundo o comerciante, 99% das vendas atualmente são no fiado, com nota promissória. Eles preferem esperar os cinco anos para que a dívida caduque e não se importam em pagar porque muitas vezes têm crédito em outro lugar”, queixa-se. Hoje, na carteira de clientes de Pedro, são quase 100 seprocados. Sem resultados, garante ele. “Se receber de uns 10 é muito.” Avenida Eurico Gaspar Dutra, principal via de acesso ao Conjunto Annibal Siqueira Cabral, popularmente chamado de Cafezal, na zona sul de Londrina. Seguindo por ela em direção ao bairro é possível distinguir pelo menos três cenários. No primeiro, logo no início, as duas pistas são esparsamente ladeadas por uma ou outra construção. Mais abaixo, um fundo de vale. Só então subindo a avenida é que se começa a definir seu perfil comercial. De um lado e de outro da via, uma variedade de comércio e serviços muito úteis para quem está a 10 quilômetros do Centro de Londrina. Barbeiro com direito a fila de espera numa manhã de sexta-feira -, salão de beleza, loja de armarinhos, material de construção, móveis usados, imobiliária, sorveteria, confecções, farmácia, pet shop... Valdirene Brito, que mora no Cafezal há 20 anos, diz que é difícil sair do bairro para fazer compras. “Só compro aqui. Tem de tudo, de supermercado a confecções e tudo o mais que precisar.” O marido dela, Claudinei Barbosa, ressalta a comodidade e a amizade com os lojistas. Ele conta que conhece 80% dos comerciantes do bairro. “E essa proximidade ajuda um pouco na hora de conseguir prazo para comprar”, garante. Maxilene Zagato, atualmente moradora no vizinho Parque Ouro Branco, também faz compras no Cafezal. “Quando eu morei aqui não tinha nada, só farmácia e algumas lojas. Agora está ótimo. Melhorou muito. Só falta uma casa lotérica pagar as contas”, diz. Como fato positivo do comércio de bairro ela ressalta a relação de confiança entre lojista e clientes, decisiva na hora de pagar com cheque, por exemplo. E o melhor: não precisa de fiador. O Conjunto Cafezal foi inaugurado pela Cohab em 1981 com pouco mais de 900 casas. Era só o começo. No entorno vieram outros residenciais e loteamentos que mantiveram o nome Cafezal seguido de um número. Hoje já são sete. A loja âncora do comércio no alto da Avenida Eurico Gaspar Dutra é o Supermercado Santarém, instalado próximo à rotatória. Ao lado ou à frente, acomodam-se os empreendimentos familiares. O comerciante Olício Flauzino da Luz, 54 anos, é um dos pioneiros do lugar. Ele mudou-se para o bairro em 1981. Na época funcionário público federal dos Correios, Olício gastava muita sola de sapato entregando correspondências. As carências do bairro novo fizeram o então carteiro enxergar a chance de apostar em um negócio próprio. E foi o que fez. Em 1986, a casa popular em que ele morava, de 33 metros quadrados, foi adaptada para abrigar também uma farmácia. “A mais próxima ficava a dois quilômetros, no Parque Ouro Branco”, relembra o comerciante. O negócio prosperou e logo o investimento que ficava “meio escondidinho” ganhou visibilidade. Hoje, a farmácia ocupa 150 metros quadrados divididos entre medicamentos e loja de conveniência. Em cima, o sobrado da família. Além do comerciante, da esposa, irmã e cunhado, o negócio emprega mais dois funcionários. Segundo o empresário, 50% dos clientes dele são “de confiança”, ou seja, compram fiado. E a confiança é recíproca. “São pessoas que estão com a gente há mais de 20 anos. Muitos vêm aqui só para conversar, tirar dúvidas”, completa. Para ele, a vizinhança é fator fundamental. “É todo mundo conhecido da gente, amigo. E no Centro a concorrência é brutal. Além disso, tudo o que eu fiz está aqui. Investi tudo aqui 23 anos de trabalho.” Loja de fábrica Também veterano no Conjunto Cafezal é Pedro de Souza. Em 1981, o então funcionário de banco casou-se com a auxiliar de costura Ivone e o casal mudou-se para o bairro. Conjunturas e necessidade serviram de combustível para o sonho do negócio próprio. “A idéia de fabricar roupas infantis começou modesta, em casa mesmo, com apenas uma máquina”, relembra. Como sócios no sonho, uma cunhada e o marido dela. Em 1985, os sócios abriram um bazar e de lá para cá o negócio da família, superando dificuldades e planos econômicos, só cresce. Atualmente construído num terreno de 360 metros na Avenida Eurico Gaspar Dutra, 1.294 o solar da família Souza dona da marca Kid Baby abriga no térreo a loja de fábrica e a fábrica de roupas e na parte superior, a moradia. Pedro saiu do banco onde trabalhava em 2004 e hoje se dedica integralmente ao negócio da família. Além dele, a esposa e os dois filhos, são mais sete funcionários – cinco na fábrica e dois na loja. E no ano passado a sociedade com os parentes foi desfeita. Cada um agora caminha com as próprias pernas. “Uma jornada de sucesso, graças a Deus”, diz. “Nunca fomos assaltados em todos esses anos”. No ponto atual a família está desde 1997. Como vantagem de manter um comércio no bairro, Pedro cita principalmente o contato com a clientela. Hábito de gente simples, de quem veio da zona rural para a cidade. “A gente conhece todos e se dá bem com todo mundo.”
Fonte: Zilma Santos Especial para a ACIL

Endereço

Avenida Londrina
Londrina, PR
86040-000

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