08/07/2022
Antes, pelo menos, eu sempre conseguia matar minha saudade. Ora ele em SP e eu em Minas, ora ele em Minas e eu pelo mundo, a gente sempre dava um jeito de estar próximo.
A proximidade Porã de ficar semanas sem se falar e tudo bem, funcionava pra gente assim, nada mudava.
A cada viagem, ligação, visita, eu aproveitava a presença dele, justamente porque a saudade sempre foi muita.
Meu pai me ensinou a minha fé, me incentivava a escrever nas muitas cartas que trocamos durante toda minha vida. Me ensinou a cantar no chuveiro e admirar a natureza, o Sol, a Lua, respeitar os seres vivos. Ilustrava meus trabalhos escolares, ilustrava a gente, ilustrava pros meus filhos. Ilustrava minha vida em tantos sentidos que só nesse momento de partida parei pra refletir e apreciar.
Ele sempre falou do mundo espiritual e dedicou grande parte da sua vida a estudar sobre ele. Ele sempre brigava por eu ser desesperada e chorona, preocupada demais, e me falava sobre a morte e o que ele acreditava acontecer depois dela.
Meu pai me preparou a vida toda pra saber lidar bem com a partida dele. E assim eu fiz.
E assim fizemos, eu e meus irmãos, sua partida se transformar na despedida mais linda que ja vi, com uma leveza, tranquilidade e bom astral que jamais se vira num enterro.
Nós cantamos, tocamos viola, rimos e choramos, lhe ofertamos tudo que você amava e comemos e bebemos em homenagem à sua existência e o fim dela, comemorando tudo que pudemos viver juntos.
Eu estive do lado dele e esse é meu maior co***lo, apesar de não ser o dele.
Estamos juntos Oíre, sempre.
Ta tudo bem, é só saudade.