09/06/2026
Bem, o Zé nunca me trouxe nada que fosse simples, mas tem toda uma coreografia pra dançar nesse processo, de inicio parece simples, é só trocar a corda e acertar um parafuso espanado. E isso rapidamente escala pra 3 dias de trabalho e ter que fazer peça pra um instrumento que praticamente nem existe mais!
Esse violão tenor, ressonator da del vecchio, que deve ter seus lá pros 100 anos é um baita exemplo dessa dinâmica que existe entre Zé e eu. Ele passou por uma baita reforma em algum momento, estava em ótimo estado (foi o unico del vecchio sem ovo de barata dentro, suspeito que possa ser falso), precisava só de uma retif**a de traste, uma regulada e colocar um captador. Sim, um captador, magnético, pra um instrumento que só tem 4 cordas, um espaçamento super específico, não tem como cortar o tampo pq eles usam o mesmo projeto do violão grande nesse, então a única sustentação do tampo tá junto do corte do captador.
Revirei as sucatas e achei 2 captadores de braço para telecaster que estavam danif**ados, consegui também uns polos de alnico e ai o projeto começou, escolhi um single por conta da eficiência que os singles tem em amplif**ar o sinal com pouca saída e o de tele é o único que passa naquela cavidade, consegui alinhar bem todo o projeto. E aí vem a outra parte do problema, o captador precisa ser noiseless pra não ter ruído de single. Eu fiz poucos captadores do zero, reparei algumas centenas, mas do zero foram poucos, noiseless nenhum.
Assim nascia o primeiro captador noiseless, split coil, para violão resonator tenor (acredito que uma frase que nunca mais vai ser escrita novamente nessa ordem pela humanidade).
Os splt coil normalmente não funcionam bem, mas nesse caso, as cordas são bem tensas e oscilam pouco, a tocabilidade do violão tenor foi essencial pra que esse projeto funcionasse perfeitamente! No mundo dos captadores com saída baixa-media, quando um captador é enrolado a mão o som dele f**a completamente fora da curva, foi um resultado muito acima do esperado!
Tem dia que é só trocar trocar, mas tem dia que a gente faz o improvável acontecer, a gente troca pouca corda, boa parte do tempo tá acontecendo umas coisas inacreditáveis mesmo!