28/05/2024
Não lembro a primeira vez que eu comi um queijo. Mas lembro da primeira vez que entrei em uma produção. Me lembro ainda pequeno o contato que tive com os animais livres, minha avó fazendo Requeijão de Corte. Da minha mãe e minhas tias trazendo da Bahia queijos, Requeijões, biscoitos, goiabadas e tantas outras coisas... tudo feito à mão, com paciência, com cuidado e zelo.
Me lembro exatamente da primeira vez que eu percebi que o cuidado poderia passar batido antes de criar um queijo. Não vi zelo, muito menos história. E percebi que nas viagens que eu fazia e ainda faço, as histórias das pessoas me lembravam algo que eu nunca deixei sair de mim. A minha essência. A minha família.
A cada porteira aberta, encontro famílias, com mães, pais, filhos e avós que verdadeiramente amam seus animais, que cozinham por amor e transformam o leite em queijo, o queijo em arte. Da fazenda à cidade encontro arte por passo. Nos cantos mexendo os doces de tacho, nas pinturas, nas cerâmicas, nas plantações e suas colheitas, nas pessoas que creem que se alimentar é sagrado. O leite se torna queijo e na caminhada descobri que o vegetal também pode se tornar vários tipos de queijo. E é na presença dele que os melhores cafés acontecem. Ele é o amor que vem na mala como carinho para a família que está longe, as risadas em um almoço e até o segredo de uma receita.
O queijo não precisa de muito. Mas ele precisa de calma, não precisa ser em grande escala, até porque o queijo raro é aquele que toca a nossa alma. Eu reencontrei minha família dentro de mim através de um queijo. O mesmo queijo que me despertou para a vida, para eu poder viver as melhores experiências que ela pode oferecer. QQueijo... !