22/07/2026
Por momentos como este que faço questão de conhecer as pessoas por trás dos produtos. Porque, antes de existir um objeto, existe uma história, um território e alguém que decidiu transformar tudo isso em criação, algo que catálogo nenhum consegue contar.
Na Fenearte conheci muitas destas histórias, mas uma delas me tocou de forma especial. Por ser um trabalho feito exclusivamente por mulheres? Por ter uma pequena dimensão do (grande) impacto que elas trazem à sua comunidade? Ou talvez por sentir a coragem e potência destas mulheres?
Tive o privilégio de conhecer a Mestre Lurdinha, do Quilombo Conceição das Crioulas, em Salgueiro (PE). Enquanto ela me contava sobre o trabalho das mulheres do quilombo, percebi, mais uma vez, que o verdadeiro valor de um produto está na história que ele carrega. Ela conta que o trabalho das mulheres do quilombo homenageia não apenas aquelas que já partiram, mas também mulheres que ainda estão entre nós — mulheres que transformaram suas comunidades e deixaram um legado vivo de força, cuidado e resistência.
De repente, aquilo que poderia ser visto apenas como artesanato ganha outro significado. Passa a carregar memória, identidade, afeto e reconhecimento.
Está foi a minha maior descoberta na Fenearte. Mais do que encontrar novos produtos para a curadoria do Mercado Poucas e Boas, encontrei pessoas. Ouvi suas histórias. Entendi um pouco do lugar de onde elas vêm, das lutas que enfrentam e das razões que as fazem criar.
E é justamente isso que buscamos trazer para o MPB: produtos que sejam uma extensão das pessoas que os fizeram. Porque, no fim, produtos sem histórias são apenas coisas, e as melhores descobertas da Fenearte foram, sem dúvida, as histórias que encontrei pelo caminho. ❤️