Sebinho.mirandópolis

Sebinho.mirandópolis Um sebo para se estar. Lugar de encontros, de leitura, de descoberta, de conversa.

no sábado tem lançamento!
29/10/2025

no sábado tem lançamento!

16/10/2025

Ah, as tretas artísticas: onde egos inchados e picuinhas viram combustível para a criação. Na música brasileira, tudo começou com Wilson Batista e Noel Rosa, um duelo nos anos 30 onde Noel, o poeta genial que não poupava ironia, cutucava o tradicionalismo de Wilson, que respondia com versos na lata, daquele jeito malandro que só o samba sabe. Uma rixa que fez muito bem ao nosso cancioneiro.

E o casal mais tóxico da história da música, Herivelto Martins e Dalva de Oliveira? O casamento virou samba-canção amargo, recheado de ciúmes, traições e composições carregadas de ressentimento e charme à moda antiga. Esse drama dos anos 40 tinha uma trilha sonora impecável, provando que a dor é uma grande musa.

Quando Jorge Ben lançou “País tropical” nos anos 70, exaltando o orgulho nacional, Juca Chaves, o sarcasmo em pessoa, acusou-o de vender-se ao regime militar e compôs “Paris tropical”. Ben não deixou barato e respondeu com “Cosa Nostra”. “Take me back to Piauí” de Juca colocou um ponto final nessa história.

Na literatura, as tretas são mais filosóficas, mais cabeça. Fernando Pessoa versus seu heterônimo Álvaro de Campos: a briga interna que todo mundo tem, mas que só um gênio transforma em poesia. Ferreira Gullar e Augusto de Campos travaram o embate “poesia do coração” contra “poesia intelectual": Gullar acusava Campos de transformar verso em gráfico de Excel, enquanto Campos via Gullar como o tio chato da piada do pavê.

O conflito entre Camus e Sartre é o clássico da filosofia existencialista. Sartre, comunista ferrenho, acusou Camus de trair a revolução; o ético Camus achava Sartre um fanático sem noção. A amizade acabou em cartas afiadas, para delírio dos leitores.

Mário Vargas Llosa e Gabriel García Márquez protagonizaram um verdadeiro novelão latino: trocas de insultos, acusações políticas e uma amizade que virou pó, mas rendeu um boom literário.

A despeito de corações partidos e egos chamuscados, essas tretas geraram obras que fazem valer cada lágrima rolada. Sorte a nossa.

✍️🏽🎥 cris attab
( discomplica_records )

A associação entre o rock e as dr**as é bastante comum, quase um clichê. O rock nacional teve forte expressão nos anos 8...
10/07/2025

A associação entre o rock e as dr**as é bastante comum, quase um clichê. O rock nacional teve forte expressão nos anos 80, com o surgimento de bandas como Capital Inicial, Titãs, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Legião Urbana. Motivados principalmente contra a ditadura, os jovens músicos que formaram essas bandas não estavam mais distantes das dr**as do que em outros lugares do mundo e épocas da história.

Renato Russo, fundador do Legião Urbana, sempre foi um cara mais discreto e mantinha sua vida pessoal longe dos tablóides, chegando a mentir em entrevistas para manter sua privacidade (como quando contou sobre seu filho ser fruto de uma relação com uma fã, quando na verdade, se tratou de uma adoção). Em 1990, ao receber o diagnóstico de soropositivo, exigiu sigilo absoluto. Mas Renato sempre escreveu muito. Além das letras de músicas, escrevia também poemas, histórias e tudo o que passava pela cabeça: sentimentos, experiências e impressões das pessoas e do mundo. Esses escritos todos estão hoje em posse de seu filho, Giuliano, que decidiu publicá-los.

A primeira publicação foi o livro “Só por hoje e para sempre”, pela Companhia das Letras, um diário que Renato escreveu durante os 29 dias de internação para desintoxicação em abril de 1993. A clínica utilizava o programa de 12 passos dos Alcoólicos Anônimos, onde a escrita é parte fundamental do plano de tratamento. São páginas e páginas que mostram a humanidade desse ícone que marcou uma geração. Medos, angústias, reflexões sobre si e suas escolhas, memórias, emoções profundas e principalmente, um desejo gritante de viver, e viver bem.

Outro fruto desse processo é o álbum “O descobrimento do Brasil”, lançado no final de 93. Enquanto letras como “Vinte e Nove” e “Só por hoje” falam das reflexões de Renato durante a internação, “Um Dia Perfeito” e “Giz” mostram leveza e otimismo para o futuro. Que infelizmente só durou mais três anos. Renato se foi em 96, mas muitas de suas canções estarão conosco para sempre.

✍️🏽 cris attab
📷 ana alves, rapha giannotti, cris attab
(com discomplica_records)

dia de sol, perfeito para ocupar a calçada!
05/07/2025

dia de sol, perfeito para ocupar a calçada!

Assim como a década de 20 é chamada a “Era do Jazz” nos EUA, a de 60 é a “Era dos Festivais” no Brasil. Uma era que duro...
05/06/2025

Assim como a década de 20 é chamada a “Era do Jazz” nos EUA, a de 60 é a “Era dos Festivais” no Brasil. Uma era que durou pouco, mas foi suficiente para cunhar o termo MPB e definir os caminhos da música brasileira. Alguns especialistas dizem que a MPB, mais que um gênero, é um movimento.

Em 1960 o país estava orgulhoso da bossa nova e a expressão mundial que ela ganhara. Inspirado pelo Festival de San Remo, que todo ano lançava canções que eram tocadas exaustivamente nas rádios mundiais, Solano Ribeiro criou o “I Festival de Música Popular Brasileira”, transmitido apenas nas rádios Record e Panamericana. Em 65, logo após o golpe militar, foi a vez da TV Excelsior (depois Record) receber o segundo “Festival de Música Popular Brasileira”, cuja imagem mais marcante é Elis Regina movimentando os braços enquanto cantava “Eh! eh! eh! Hoje tem arrastãooooooo”. Vencedora, a jovem gaúcha de 19 anos ganhou notoriedade na mesma medida em que definiu uma nova forma de estar nos palcos, de interpretar uma canção, de fazer música.

Nos bastidores, o engenheiro de som Zuza Homem de Mello (que já exercia a função na TV Record) observava uma história ser construída. História contada por ele no livro “A era dos festivais”, lançado em 2003 pela editora 34. Zuza revela, entre outras coisas, qual foi a verdadeira vencedora do festival de 66, cujo resultado oficial é um empate entre “Disparada” e “A Banda”. Ele fala, principalmente, sobre como o momento político influenciava os festivais e logo, a própria música. Censura, exigências, proibições, violência. Contra tudo isso, surgiu uma resistência e a música de protesto.

Além do Festival da Record, que durou até 69, Zuza conta de outros festivais, como o FIC (Festival Internacional da Canção), criado em 66 e transmitido pela TV Globo. Igualmente palco de protestos, em 72 o FIC teve sua última edição. A “Era dos Festivais” foi encerrada pela violência policial, que nunca conseguiu, no entanto, silenciar a voz e a luta de toda uma juventude.

texto e fotos Cris Attab (discomplica_records)

sábado tem arte da Claudia Hausner na calçada, vem!
04/06/2025

sábado tem arte da Claudia Hausner na calçada, vem!

Tarefa difícil definir o que é jazz. Desde sua origem na virada do século 19 para o 20 em comunidades de New Orleans, es...
08/05/2025

Tarefa difícil definir o que é jazz. Desde sua origem na virada do século 19 para o 20 em comunidades de New Orleans, esse gênero tem tantos ingredientes em sua formação, influências e variações que enquadrá-lo em uma forma única é impossível. A própria origem da palavra jazz é uma questão ainda mal resolvida.

Mas algumas coisas são óbvias. Como o fato de ser essa uma música negra. E como toda manifestação artística que reflete a vida, lutas, sonhos, dores e amores de um determinado grupo étnico-cultural, a história do jazz se funde à dos povos afrodiaspóricos nos Estados Unidos, e por isso é muito mais interessante entendê-lo socialmente do que estruturalmente.

No final da década de 1910, músicos de jazz romperam as fronteiras da Louisiana. Com a Lei Seca de 1920, que proibiu a venda de bebidas alcoólicas nos EUA, gangues organizadas, como a de Al Capone, assumiram o fornecimento dessas bebidas e assim surgiram bares clandestinos, especialmente em Chicago e New York. O jazz era tocado nesses locais como um tipo de música contracultural e ganhou admiradores na mesma medida que a reputação de imoral.

Ainda assim, a década de 20 é chamada de “Era do Jazz”, grande parte por influência do escritor F. Scott Fitzgerald que, além de usar como pano de fundo para vários de seus romances o hedonista jazz nova iorquino, como em Os Belos e Malditos, publicou um livro com 11 histórias intitulado “Contos da Era do Jazz” (um deles, O curioso caso de Benjamin Button).

A Nobel Toni Morrison lançou em 92 o romance “Jazz”, segunda parte de uma trilogia sobre a história afroamericana, onde as angústias e injustiças sofridas pelos negros são retratadas na história de personagens que habitam o Harlem dos anos 20 e vivem a Era do Jazz e no resgate do seu passado, estendendo a narrativa até metade do século 19.

Indefinível ou não, o jazz carrega em si uma paixão, uma intensidade e uma busca pela liberdade que só os negros poderiam lhe dar.

✍️🏽 📷 Cris Attab
📷 Raphael Giannotti

( discomplica_records )

gosta de biografias? vem!
08/05/2025

gosta de biografias? vem!

começou o conclave! a capela sistina (primeira foto) fechada ao público e repleta de cardeais trancados para a escolha d...
07/05/2025

começou o conclave! a capela sistina (primeira foto) fechada ao público e repleta de cardeais trancados para a escolha do novo papa.

vaticano é lugar de ritos, de pompas religiosas, de representações artísticas da fé e das temáticas cristãs.

sobre o acervo artístico, temos aqui esse livro. vem ver.

(Yves e suas deliciosas contribuições)

Inglaterra, década de 60. O mundo estava encantado com os quatro garotos de Liverpool com seus terninhos e cortes de cab...
10/04/2025

Inglaterra, década de 60. O mundo estava encantado com os quatro garotos de Liverpool com seus terninhos e cortes de cabelo de bons moços, quando surge em Londres uma figura que muitos descreveram como rebelde: Mick Jagger e o Rolling Stones logo se tornaram tão famosos e importantes para a ‘nova’ música e a cultura pop quanto os Beatles. E, apesar de terem estilos e comportamento quase opostos, Jagger declara que nunca foi intenção ser encrenqueiro ou desafiador, mas apenas ser ele mesmo.

Unidos pela paixão pelo blues, o estilo vocal de Jagger e suas performances cheias de energia e s*x appeal e a guitarra de Keith Richards foram os ingredientes-base para a mais duradoura parceria no universo do rock. E também uma indústria permanente de fazer singles e dinheiro, com os discos ou com os shows (a Bigger Bang Tour, de 2007, é a segunda turnê mais lucrativa da história).

Richard, que é filho único, disse ter Jagger como um irmão e, quem tem irmão concorda, brigas são inevitáveis. A despeito das provocações, das idas e vindas, eles sempre estiveram no mesmo barco, tornando Richard a pessoa mais próxima do “irmão” e seu mais apto biógrafo. Por isso a biografia não autorizada “Mick Jagger - O mito”, elaborado pela equipe da editora Universo dos Livros, traz muitas referências da autobiografia “Life”, de Richards e também relaciona a história de Jagger com a da música e do rock, indissociável da trajetória de 60 anos dos Stones e do relacionamento com seu principal companheiro de composições.

Hoje, aos 81 anos, com oito filhos (de cinco mulheres), cinco netos e uma bisneta, Sr Sir Michael Philip Jagger, (honraria concedida pela rainha Elizabeth II em 2002 por sua carreira e serviços prestados à música popular) ainda sustenta a imagem de roqueiro rebelde cheio de energia.

Para os fãs. Há dois dias, a cobertura eduardiana em que a realeza do rock viveu entre 66 e 68 está disponível para venda, se você tiver 5,5 milhões de libras (R$40 milhões) sobrando… I Can't Get No

✍️🏽📷 Cris Attab
(com discomplica_records )

04/04/2025

é com muita alegria e carinho que recebemos uma seleção obras de Yves Winandy, caro amigo do .mirandopolis e .bistro

faltam ainda alguns ajustes mas a coleção já pode ser contemplada em nossas paredes...

o vernissage de apresentação será dia 10 de abril, quinta-feira, às 19h. essa recepção será acompanhada de um aperitivo em jeito de happy hour. para quem quiser, teremos ainda uma opção de comidinha volante para não quebrar a confraternização.

até lá, se não for antes...

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São Paulo, SP
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