08/05/2026
O QA quase morreu umas 3 vezes (4 com a atual). E tá mais vivo do que nunca.
Desde que entrei na área de qualidade, aprendi uma coisa: QA vive sob ameaça constante de extinção.
Quando a automação chegou: “DEV testa o próprio código agora.”
Quando o ágil chegou: “O time todo é responsável pela qualidade.”
Quando o DevOps chegou: “CI/CD resolve.”
Agora com a IA: “Não precisamos mais de QA.”
IA é o menor dos problemas.
O mercado de forma geral, em empresas de todos os tamanhos e segmentos ainda comete os mesmos erros estruturais com o QA: Todo atraso é descontado do tempo de teste.
A sprint atrasou? Corta o QA. A margem de manobra sempre sobra pra qualidade.
QA é convocado no final, não convidado no início.
Mudança de requisito, hotfix, nova integração o QA costuma ser o último a saber. E o primeiro a ser cobrado quando algo dá errado.
Falta estratégia de qualidade nas lideranças.
“Não pode ter bug” não é estratégia. É desejo. Sem definir o que é crítico, o que é aceitável, qual é o apetite de risco o QA constrói sozinho, no escuro.
Qualidade ainda é vista como fase, não como cultura.
E cultura não se automatiza. Se constrói com processo, com pessoas, com tempo.
Reflexão:
O Contador.
Quando o Excel chegou, disseram que ia morrer. Quando os ERPs chegaram, de novo.
Quando a automação fiscal chegou, de novo.
O contador executor morreu. O estratégico que interpreta, aconselha e antecipa risco nunca esteve tão bem pago.
O QA vai seguir o mesmo caminho.
A pergunta não é “o QA vai morrer?”
É “qual versão de QA você está sendo?”