14/02/2026
Hoje meu surdo veste cor, memória e pertencimento.
A pintura que criei para o Carnaval nasce como homenagem a Magno Zeó, artista serrano formado pela Guignard, inquieto, completo. Um artista que transitava entre pintura, artesanato e literatura, que vivia a arte com intensidade e fazia do Carnaval uma extensão da própria criação.
Me inspirei na série “Serro Quebrado”, com suas formas geométricas, cores vibrantes e essa maneira tão própria de fragmentar e reconstruir a cidade em planos cheios de movimento. Minha pintura não é uma reprodução das obras dele, mas um trabalho construído a partir do que a arte dele despertou em mim.
No meu surdo, retratei pedaços do nosso Serro: a Igreja de Santa Rita com sua escadaria tão simbólica, o prédio da Prefeitura, o prédio onde funciona o café da praça, a Chácara do Barão, o prédio onde hoje está o meu ateliê, o Estúdio Interiores, e também os nossos queijos, porque Serro é a Terra do Queijo e essa identidade faz parte de quem somos.
Lugares e símbolos que contam nossa história e que também fazem parte da minha caminhada como artista.
Que a cidade “quebrada” em formas se refaça em som, em cor e em alegria. Que essa pintura ecoe no batuque como o Magno Zeó e sua arte ecoam na memória de quem o conheceu.
Carnaval também é isso: tradição, homenagem e continuidade.
Obras da série “Serro Quebrado”: acervo pessoal de