28/09/2021
Texto: Jhana está morrendo! - Um tributo a Oscar Wilde e todos os escritores que de uma forma ou de outra sofreram pela única e absorvente escolha de sê-lo.
Jhana está morrendo!
Mas não está seu ideal, o ideal do encontro solitário, consigo mesmo, na Paixão Segundo GH de Clarice Lispector, do encontro, do Encontro Marcado com Fernando Sabino, do encontro a dois, a três, ás quatro, cinco ou no máximo ás 6 da tarde!
Jahna está morrendo!
Mas não está sua filosofia, seu banquete, no Banquete de Platão, sua filosofia de plantar sementes-livros, histórias afeitas de adornos, Rococó, Barroca em contornos rebuscados e em ouro, de Antônio Francisco Lisboa( Aleijadinho), de papel de folhas de arroz de Mo Yan, folhas de cetim de Haruki Murakami, de celulose americana de Mark Twain de Walt Whitman em Lives of the grass, papel couché, maché,de Jean-Jacques Rousseau
Jean-Paul Sartre
Simone de Beauvoir; Marcel Proust,Alexandre Dumas dentre outros, cintilante, brilhoso, sem brilho, amarelado para não cansar ás vistas, descansar a mente, para não " apertar a mente", para não fazer pressão.
Há de se questionar se na forma digital, tem o mesmo efeito, pois aquilo que não tem tato, cheiro e até sabor, há de se materializar, mas os equipamentos seguem e se servem de tecnologia, do passar dos dedos na tela touch screen, de dedilhar as teclas, da biblioteca á mão, de dados e informações infinitas, boquiaberto ficas, com tanta inclusão, reclusão,pandêmico e endêmico.
Mas há de se perguntar se livros digitalizados preenchendo megas e gigas de memória, leva em consideração tamanha profanação do livro, do descarte do livro, da experiência de confraternização, do eu-pessoa com o eu-livro, indivíduo- pessoa com sua doação e dedicação daqueles que fizeram do ato de escrever, um ato litúrgico, uma cerimônia sem cerimônias, sem "mimimis", ele, o livro, convida-o pela orelha, orelha do livro, é uma orelha que não ouve, mas é "escutada", lida, numa sinopse do que há por vir, povir- Expressão composta e substantivo.
"Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!" Hino da Proclamação da República do Brasil.
E assim minha, nossa pátria amada, assiste e desassiste, provém e desprovém a boca cheia de dentes e banguela de nossa NAÇÃO.
Mas, Jhana está morrendo, não está seu proprietário, mas os leitores do Sentimento do Mundo de Carlos Drummond de Andrade, um vazio abrindo -se no espaço, no Cosmos de Carl Sagan e no tempo, na infinitude de um espaço sideral cabendo num livro a via láctea.
Saudosistas haverão de se lembrar também da W**e& Music, perdemos a leitura em papel e o aconselhamento de um cantor, cantora, de um estilo, de uma " certa clssse", desqualificados ficamos sem o Soul, sem o Jazz, a Bossa, sem o B lues, "blue" ficamos , tristes, meio amargurados, nostálgicos,melancólicos,vitimados no som de páginas viradas, de letras cantadas,de melodias ouvidas, nas próprias lojas físicas.Limitadas por paredes, mas tão grandes de coração.
Compartilhavamos olhares, sabores, experiências, essências, ali, na hora, nada era "fake", perfis perfilavam mostrando decotes, decotes de seios e pernas robustos, robustecidos pela lingerie, pelos soutiens, Madame Chanel de Edmunde Charles Roux, que o diga, a percepção estava á mão, na mão, no corte, no tanger da tesoura no tecido, tangenciando medidas, metralhando medidas ditadoriais e de ideologias machistas.
A política era o prazer, prazer do compartilhar opiniões, em trocar os peões de um jogo de Xadrez, da avidez de reis e rainhas, o xeque-mate derradeiro, a cartada final do pôquer, a observacão, análise e crítica vindo tudo de onde?
Do LIVRO!
Não de qualquer livro digitalizado, do livro "saboreado", "deglutido" e"processado".Do livro conversado,discutido, sentido por todos os sentidos!
Saborear: O retrato de Dorian Gray de Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde, ou simplesmente Oscar Wilde (Dublin, Irlanda, 16 de outubro de 1854 — Paris, 30 de novembro de 1900), e chegar a conclusão que:
" Seja você mesmo. Todas as outras personalidades já têm dono." e " Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existem."
E Jhana está morrendo...nem mais existindo, ou resistindo, mas com sua personalidade!
Viva JHANA!
Frederico
VIANNA BORRGES