11/12/2025
O ato de brindar para celebrar um evento ou homenagear alguém especial vem desde a época em que gregos e romanos erguiam suas taças de vinho, como uma oferenda simbólica aos deuses. Os romanos iam além durante esse momento de comemoração: derramavam um pouco da bebida no chão. Pensavam que, assim, conseguiriam saciar a sede das divindades. No Brasil, acontece um comportamento semelhante, com o costume de dar um gole de cachaça “pro santo”.
Os brindes tinham o poder de selar o término dos conflitos. Cabia ao vencedor sempre dar o primeiro gole – dessa forma, provava que não estava com segundas intenções de envenenar o adversário. Os romanos acreditavam que, ao bater um copo no outro, os eventuais venenos se depositariam no fundo das taças. A exclamação “Saúde”, que geralmente acompanha os brindes entre sorrisos e olhares nos olhos, pode também ter surgido na Grécia antiga, como uma indicação que a bebida estava tão boa a ponto de não oferecer perigo de intoxicação.
Outra narrativa utilizada para explicar a origem do brinde vem de Dionísio, o Deus do Vinho na Grécia antiga: o barulho do tilintar das taças era uma forma de ativar a audição e tornar a apreciação do vinho uma experiência sensorial completa.
Mas nem tudo nessa vida se explica pela devoção aos deuses. No século XVII, durante o reinado de Luís XIV, Henriqueta Stuart da Inglaterra, amante do rei, morreu pouco tempo depois de ter tomado um copo de água com chicória. A suspeita de que o envenenamento havia sido provocado por pessoas contrárias à aliança entre França e Inglaterra deu origem ao que ficou conhecido como o Affaire des Poisons.
Descobriu-se que vários membros da corte estavam envolvidos em diversos assassinatos tendo como mentora a maior especialista da época em artes ocultas e magia negra, Catherine Deshayes (1640-1680). Nascida em uma família humilde, começou cedo, aos 9 anos, a se introduzir na quiromancia, leitura de rosto e astrologia. Aos 20, após o casamento com um joalheiro que não se deu bem na vida, precisou se virar para garantir o sustento da família. O preparo de poções afrodisíacas e amuletos a inseriu na alta roda da aristocracia parisiense.