06/10/2012
Perspectiva histórica do Bordado desde as suas remotas origens à actualidade:
De imensa beleza e exemplo de originalidade no âmbito de manufactura nacional, o Bordado de Castelo Branco apresenta dois factores dominantes: um, de origem artística; outro, de significação económica. O primeiro manifesta a existência de uma arte própria, com estilo de feição peculiar, o segundo admite a concentração desta indústria de bordado na zona do Distrito de Castelo Branco.
Porquê nesta cidade? É natural que se tenha fixado precisamente numa região onde a cultura do linho era tradicional e onde a amoreira se dava tão bem, a ponto de permitir a criação em larga escala do bicho-da-seda. Os locais de fabrico explicam em grande parte a matéria utilizada, visto as condições naturais serem exploradas pelas comunidades.
Embora se desconheça a verdadeira origem do Bordado de Castelo Branco, o facto de, já no século XX, ter sido reactivada a sua produção em Castelo Branco é a razão de denominação actual, ainda que a grande maioria dos espécimes antigos recenseados tenham sido localizados na zona desta cidade.
De acordo com o figurino da época, crê-se ter sido o século XVIII o período mais fecundo na confecção do Bordado. Depois de uma fase de decadência que se fez sentir ao longo do século XIX, o seu ressurgimento deu-se na região de Castelo Branco, no primeiro quartel do século XX, a partir do momento que Maria da Piedade Mendes (1888?-1984) encontrou um conjunto de colchas de linho bordadas a seda, guardadas religiosamente em arcas herdadas pela sua família, e que iriam servir de modelo para os trabalhos que desenvolveu ao longo da vida com uma perfeição notável. No ano de 1929, ao participar na Sexta Sessão do IV Congresso Beirão, realizada em Castelo Branco, Maria Júlia Antunes, professora do Liceu Infanta D. Maria em Coimbra, apresentou a sua tese Rendas e Bordados das Beiras onde faz referência aos «bordados albicastrenses, genericamente chamados a frouxo», pela primeira vez divulgados em público com a designação que os associa à cidade beira.
Constitui-se então uma marca, por escola, recriando e reformulando motivos de espécimes remanescentes, em defesa e continuidade de uma expressão artística, reconhecida pela sua riqueza singular no diversificado panorama da produção têxtil nacional, através de um movimento de âmbito local. Surgiu a denominador Bordados de Castelo Branco.