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Apesar de Marilia de Dirceo ser considerado um dos mais belos livros de poesia de amor da língua portuguesa, o seu autor...
20/02/2015

Apesar de Marilia de Dirceo ser considerado um dos mais belos livros de poesia de amor da língua portuguesa, o seu autor, Thomaz Antonio Gonzaga (Dirceo), nunca casou com a sua amada Marilia. Gonzaga nasceu no Porto em 1744, viveu a sua infância entre o Recife e a Bahia, estudou leis na Universidade de Coimbra, tendo sido colocado como ouvidor em Vila Rica [actualmente Ouro Preto, em Minas Gerais no Brasil] em 1782. Aí conheceu e se apaixonou por Maria Dorothea Joachina de Seixas (Marilia), nascida em 1767 de quem chegou a estar noivo. O casamento não se concretizou, pois Gonzaga foi condenado ao degredo em África pela sua participação na Inconfidência Mineira. Após 3 anos na ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, onde terá escrito a maioria do poema, foi exilado em Moçambique no mesmo ano em que se publicou a sua célebre obra. Em Vila Rica não mais se soube dele, tendo Marilia f**ado solteira até à sua morte com 86 anos. Thomaz Antonio Gonzaga no entanto casou-se em Moçambique com Juliana de Souza Mascarenhas, a rica herdeira de um abastado comerciante de escravos e teve dois filhos, tendo falecido em 1810. Terá ele esquecido a sua paixão?

A 1.ª edição do livro, publicada em Lisboa, na Typografia Nunesiana, em 1792 é hoje uma raridade bibliográf**a em ambos os lados do Atlântico e é um dos livros da nossa língua com maior número de edições, tendo sido reeditado consecutivamente, tanto durante a vida do autor como após a sua morte.

Chateaubriand gostaria que as suas Memórias de Além-Túmulo tivessem sido publicadas 50 anos após a sua morte, mas a sua ...
27/11/2014

Chateaubriand gostaria que as suas Memórias de Além-Túmulo tivessem sido publicadas 50 anos após a sua morte, mas a sua vontade não foi respeitada e elas foram impressas no mesmo ano da sua morte.

François-René de Chateaubriand (1768-1848) foi um dos mais importantes escritores do seu tempo e teve em vida um grande reconhecimento, que não se limitava a França.
As suas memórias, começadas a escrever em 1809, foram redigidas durante cerca de 35 anos e foram publicadas em 12 volumes no mesmo ano da sua morte devido a um curioso facto.
Chateaubriand, após a revolução de 1830, ficou com a carreira política destruída e coberto de dívidas. Por sugestão da sua amante, Madame Récamier, leu alguns excertos das suas memórias em público. As memórias ganharam fama e foi constituído um fundo anónimo que comprou os direitos de publicação do livro. Chateaubriand conseguiu realizar bastante dinheiro com a venda antecipada, mas viveu ainda muitos anos e os seus amigos, que haviam comprado a maioria dos direitos, foram morrendo ou vendendo as participações, pelo que em 1848 quem detinha os direitos eram investidores desejosos de recuperar o seu dinheiro.
A obra «Mémoires d'outre tombe» foi publicada em Paris em 1848 e em várias outras cidades europeias surgiram edições piratas ainda no mesmo ano.

Pedidos vários para um livro que não existe.Curiosamente já não é a primeira vez que nos pedem para tentar arranjar o li...
06/10/2014

Pedidos vários para um livro que não existe.
Curiosamente já não é a primeira vez que nos pedem para tentar arranjar o livro de Amadeu Inácio de Almeida Prado, intitulado Um Ourives da Palavras publicado em Lisboa pela Editora Cedros Vermelhos em 1975.
Acontece que, ao contrário do que alguns leitores estão convencidos, esse livro nunca foi publicado, tal como nunca existiu o Dr. Amadeu Inácio de Almeida Prado, nem mesmo a editora Cedros Vermelhos.
A confusão tem uma explicação simples, em 2004 o suíço Peter Bieri publicou, sob o pseudónimo Pascal Mercier, o livro Comboio Nocturno para Lisboa (Trem Noturno para Lisboa, na edição brasileira), que se tornou um sucesso de vendas. Nele conta a vida de um professor suíço de línguas antigas, que tendo convencido uma senhora a não se suicidar a vê desaparecer rapidamente. Daquela a quem acaba de salvar a vida sabe apenas que é portuguesa e f**a com o seu casaco na mão, contendo um livro de Amadeu Prado e um bilhete de comboio para Lisboa para o próprio dia. O professor toma então uma estranha decisão e resolve apanhar o comboio para Lisboa, cidade onde a história se vai desenrolar.
O livro, Um Ourives das Palavras, que entretanto vai lendo tem frases com as quais se sente identif**ado e serve de fio ao desenrolar da acção.
O argumento foi adaptado para filme em 2012 por Billie August, com Jeremy Irons e Mélanie Laurent nos principais papeis e com a participação dos actores portugueses Nicolau Breyner, Beatriz Batarda e Marco d'Almeida. Também nele são citados vários pensamentos e ideias do suposto autor e isso fez com que muitos leitores acabem por querer ler o livro original que supostamente inspirou Mercier no seu sucesso.
A única hipótese é ler o livro Comboio Nocturno para Lisboa e separar nele a parte correspondente ao "nosso autor português" Amadeu Inácio de Almeida Prado.

Endereço

Rua Dos Chãos, 121
Braga
4710-230

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