12/12/2020
“Pode-se dizer que são praticamente infinitas as possibilidades de percorrermos um espaço da dimensão de um pequeno país como Portugal. A coerência de uma qualquer proposta para o varrimento de um espaço complexo, para o mapeamento de um território através de uma linha contínua, é sempre questionável. Sobre um mapa traçar um itinerário. Este itinerário é como a síntese, o somatório de dezenas ou centenas de viagens pelo espaço português ao longo de mais de três décadas. Passar por uma enorme quantidade de lugares para deles tentar extrair uma súmula, a essência de um país que é fragmentado numa paisagem muito diversificada desde os seus elementos estruturais, a linha de mar, os rios e as serras, bem como dos seus detalhes que se manifestam em singulares intervenções construídas ao longo de milénios.
Numa primeira abordagem definiu-se um ponto de partida. Selecionámos, como uma escolha que nos pareceu óbvia, o centro geodésico de Portugal — o picoto da Melriça. Ao invés de seguirmos um itinerário de norte para sul, por exemplo, ou de sairmos de uma qualquer cidade, quisemos afirmar uma racionalidade que se prende com um ponto que está relacionado com a cartografia, com o levantamento topográfico de Portugal. Foi a partir do picoto da Melriça que se estabeleceram as triangulações com outros marcos geodésicos e assim se mediu todo o país.”
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Viagem Maior
Edição Museu da Paisagem
Textos e fotografias de Duarte Belo e João Abreu
1ª edição: Dezembro de 2020
608 páginas (150 x 200 mm)