09/10/2026
O som inconfundível do apito do amolador ecoou hoje à porta da Confeitaria Santa Luzia.
Fez-me de alguma forma recuar no tempo…
Bastaram as notas agudas e compassadas para a minha memória me transportar para os meus 12 anos, em casa da minha avó Manuela.
Lembrei-me que ela parava o que estava a fazer assim que ouvia o som ao longe , numa espécie de urgência afetuosa com que me chamava, para me colocar nas mãos as facas da cozinha e as tesouras da costura e me pedia para ir a correr à rua ter com o amolador antes que ele passasse.
Havia algo de simples e ao mesmo tempo acolhedor nesses dias…o chiar da pedra a girar, as faíscas que saiam da amolação e a minha avó Manuela à porta da rua, a certificar-se de que eu dava conta do recado.
O amolador passou hoje pela confeitaria e seguiu o seu caminho, mas deixou-me com uma boa saudade e a certeza de que a memória da minha avó continua bem viva nos pequenos detalhes.
António de Campos Ferreira Dias