23/09/2026
Hoje falo sobre a Cristina.
Tem milhares de horas, muitos milhares de horas, em televisão, grande parte delas em directo. É uma grande cabeça (causa-me tanta estranheza que tanta gente não a veja assim), vê muito à frente, sabe pensar televisão, sabe pensar públicos, abordagens, audiências, é uma profissional completa, um ser humano inteiro, corajoso. Treme muito, às vezes, tenho a certeza, mas nunca se deixa cair.
Gosto tanto de quem tem a coragem de por vezes cair e nem assim ficar caído.
Conheço-a há muito, ainda era eu um pouco ilustre desconhecido e ela já era a apresentadora que queria sempre mais do que só apresentar como todos os outros apresentavam. Nunca fomos amigos, mas sempre gostamos um do outro. Respeito-a muito, muito. Sei que às vezes não acerta, sei que há muito ódio à volta dela. Continuo sem entender muito bem porquê. É uma mulher feita de gente, e falha como a gente. É uma pessoa feita de gente, e falha como a gente.
Se cada um de nós tivesse tantas horas de televisão como ela, aposto que teríamos feito muito mais porcaria do que ela fez. Eu teria, certamente.
Deixo-lhe um abraço, hoje, não sei porquê hoje, porque me apeteceu, e chega.
Gosto tanto de, pelo menos quando é possível, fazer o que me apetece.
Suspeito que a Cristina também. Imagino-a assim, livre, por mais que lhe apontem o dedo. Deve sofrer, claro; quem não sofre quando nos tentam ferir? Todos temos um ego, e crescer é aprender a ouvi-lo menos, cada vez menos, a cada dia que passa. Ser livre quando nos apontam o dedo é uma espécie de rebeldia, um manifesto contra a tendência absurda de nos levarmos a sério quando somos quase nada, todos nós, quase nada, nada, e atiramos uns aos outros porquê, para quê, raios, para quê?
O que me magoa mais quando olho à volta é o excesso de juízes.
Não julgo a Cristina, Deus me livre. Tenho tanta m***a em mim mesmo para poder julgar. Gosto de começar por aí.
Para ela, deixo um abraço, um aplauso. Vou continuar por aqui, a vê-la ser o que bem quiser. Que continue a ter a ousadia de acreditar no que ama, no que a apaixona. Quero-a feliz, gosto de vê-la feliz.
A felicidade dos outros é sempre um bom começo para a nossa própria felicidade.