28/04/2026
Partiu no domingo passado, dia 19 de Abril, Desmond Morris, aos 98 anos. Zoólogo, etólogo, escritor e uma das vozes mais influentes na forma como olhamos para os outros animais - e para nós próprios.
Autor de "O Macaco Nu", Morris desafiou a arrogância antropocêntrica ao lembrar algo essencial: o ser humano não está acima da Natureza, é parte dela. Somos animais, com comportamentos, instintos e relações que não podem ser compreendidos fora dessa realidade.
Num mundo que continua a tratar os animais como recursos, entretenimento ou mercadoria, essa lembrança permanece profundamente necessária. Reconhecer a nossa animalidade deveria conduzir-nos não ao domínio, mas antes à empatia, ao respeito e à libertação.
Morris ajudou a aproximar ciência e sensibilidade. Mesmo com debates e críticas em torno de algumas das suas ideias, deixou uma marca incontornável ao desafiar a visão hierárquica entre humanos e os restantes animais.
Hoje, recordamo-lo também como alguém que contribuiu para desmontar a ilusão da separação entre “nós” e “eles”.
Porque nunca houve “eles”.
Há apenas animais - humanos e não humanos - a partilhar o mesmo mundo.