07/07/2026
Num ensaio publicado em 2000 no Times Literary Supplement, Susan Sontag perguntava-se se a grandeza literária ainda seria possível, concluindo que uma das poucas respostas afirmativas era a obra de W. G. Sebald. Para Sontag, Sebald convertia a viagem em motivo de grandeza e encanto.
Winfried Georg Maximilian Sebald nasceu na Baviera em 1944 e, em 1970, emigrou para Norwich, no Reino Unido. Quando morreu, inesperadamente, aos 57 anos, era considerado um dos maiores escritores da segunda metade do século XX.
Grandemente influenciado por Walter Benjamin, Thomas Bernhard ou Vladimir Nabokov, Sebald tem uma obra de difícil classificação. Misto de ficção, viagem e biografia, com fotos a preto e branco, sempre sem legendas, os seus livros abordam os grandes temas do tempo, da memória e da identidade. Recordava sempre quão doloroso é viver com a memória e quão perigoso é viver sem ela, um tema a que hoje, em particular, não devemos fugir. O próprio autor cunhava, por vezes, os seus livros de “ficção documental”.
“Os Anéis de Saturno”, escrito em 1995, é o relato de uma viagem a pé pelo litoral inglês de Suffolk, com o objectivo de dissipar o vazio que surge após a concretização de um grande projecto. Um passeio nostálgico que se torna numa meditação sobre o passado.
Da Relógio d'Água, com tradução e notas de António Sousa Ribeiro, custa 21€.