Livraria Buchholz
Na II Guerra Mundial, ao ver a sua livraria/galeria berlinense destruída por bombardeamentos, Karl Buchholz refugia-se em Lisboa. da Liberdade um espaço onde volta a vender autores banidos pelo III Reich, outros proibidos pelo Estado Novo e, sobretudo, livros em línguas estrangeiras. Em 1965, a Buchholz instala-se na Rua Duque de Palmela, onde se mantém. Os três pisos projetados
pelo livreiro ao estilo das livrarias alemãs – uma Babel forrada a painéis de madeira, com uma escada em caracol e múltiplos recantos de leitura – tornam-se poiso habitual da tertúlia lisboeta. Na cave vende-se arte e música clássica. Dirige a galeria o crítico Rui Mário Gonçalves. Helena Almeida, Noronha da Costa, Álvaro Lapa, Areal e Cesariny passam por ali. Entretanto, já Karl Buchholz partira para a América do Sul, onde abrira outras livrarias. A gerir a de Lisboa f**a Katharina Braun, personagem conhecedora e temperamental, que alimenta o folclore do meio literário lisboeta. Segue-se, nos anos 80, Karin Sousa Ferreira, outra alemã. A historiadora Irene Flunser Pimentel também passa pela casa onde havia a tradição de empregar apenas mulheres. Ao longo das décadas, a Buchholz é frequentada por vários nomes relevantes da política, da cultura e do jornalismo (o Expresso f**ava ali ao lado), incluindo Mário Soares, Freitas do Amaral, Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Lobo Antunes, Cardoso Pires, Al Berto, Mourão-Ferreira, Vergílio Ferreira, Vasco Graça Moura e Assis Pacheco. É aqui que, na década de 1980, num encontro fortuito entre Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas surge a ideia para O Independente. Em 2009, a Buchholz passa a fazer parte do grupo Leya. Já em 2017, 2018 e 2019 é eleita livraria favorita dos portugueses. Renovada em 2023, com um regresso cuidado ao ADN original, volta a juntar uma curadoria independente de livros, música e arte na mesma morada. Lisboa, 7 de janeiro de 2025 – A icónica Livraria Buchholz, um dos mais emblemáticos espaços culturais de Lisboa, passa a integrar o programa "Lojas com História" da Câmara Municipal de Lisboa. Este reconhecimento valoriza a relevância histórica e cultural deste espaço que, desde 1943, tem sido um epicentro literário e artístico da cidade.