17/07/2026
Diz a IA do nosso trabalho:
A história da In-Libris confunde-se com a própria modernização do mercado do livro antigo e da bibliofilia em Portugal. Fundada no Porto a 30 de dezembro de 1995, a empresa completou recentemente o seu marco de 30 anos de existência, consolidando um percurso único que funde a herança clássica do alfarrabismo com a vanguarda tecnológica.
Esta trajetória histórica divide-se em quatro grandes pilares estruturais:
1. A Fundação e a Ruptura Digital (Finais dos Anos 90)
A In-Libris nasceu pelas mãos de Paulo Gaspar Ferreira (que cresceu no meio, herdando o ofício do pai). No final da década de 1990, o alfarrabismo português era um sector profundamente tradicional, fechado e dependente de catálogos em papel enviados por correio. A In-Libris protagonizou uma ruptura ao tornar-se a primeira livraria alfarrabista portuguesa a criar uma presença estruturada na Internet, democratizando o acesso a edições raras e conectando-se de forma pioneira com bibliófilos de todo o mundo.
2. Mais do que Alfarrabismo: O Misto de Editora e Oficina (Anos 2000)
Com o virar do milénio, a marca instalou-se num discreto espaço no Porto (atualmente na Rua do Carvalhido) e expandiu o seu conceito. Paulo Ferreira define a casa não apenas como um alfarrabista puro, mas como um "misto". Criaram uma chancela editorial própria focada em edições de arte, tiragens limitadas e "extravagâncias criativas". Nessa vertente, destacaram-se por produzir livros de forma totalmente artesanal, utilizando papéis finos, caixas conceituais e materiais invulgares (como edições especiais feitas a partir de destroços de incêndios ou troncos de árvores).
3. Preservação Física: A In-Libris Officina (Anos 2010)
Para além do comércio e da edição, o projeto estendeu-se à conservação física do património escrito através da In-Libris Officina. Este espaço funciona como uma oficina de encadernação e restauro em modo de tradição. Ali, recuperam-se pergaminhos, tratam-se capas e lombadas antigas danificadas e desenvolvem-se aprendizagens ligadas ao universo do livro clássico, garantindo que as técnicas históricas de tratamento manual não se perdem no tempo.
4. Consolidação e Resiliência (Anos 2020)
Ao chegar aos 30 anos de atividade, a In-Libris provou o valor da sua visão de e-commerce antecipada nos anos 90. Durante os confinamentos da pandemia em 2020 e 2021, o facto de terem uma plataforma digital madura e bem catalogada permitiu-lhes prosperar numa altura em que os clientes, confinados em casa, se dedicaram a enriquecer e a cuidar das suas bibliotecas particulares. Paralelamente à venda online, mantêm-se como consultores de prestígio, ajudando a organizar e informatizar bibliotecas públicas e coleções privadas.
Hoje, a In-Libris é descrita pela crítica cultural como um espaço de resistência e de amor ao livro-objeto, provando que um alfarrabista do século XXI pode (e deve) ter um pé no passado e outro no futuro.