25/01/2026
A parte mais difícil não foi parar.
Foi não me sentir culpada por isso.
Durante muito tempo tentei responder a tudo ao mesmo tempo:
Casa, família, ideias, produtos, expectativas, o ritmo constante das redes.
Estava sempre ocupada, mas cada vez menos presente.
Aos poucos, deixei de me ouvir e confundi consistência com exaustão.
Continuei a fazer, a aparecer, a produzir, mesmo quando já não estava alinhada.
E durante algum tempo isso funcionou.
Foi assim que o último ano se construiu: intenso, com crescimento, mas também com desgaste.
Parar não foi fácil.
Veio acompanhado de culpa, daquela sensação de que estamos a falhar só porque abrandámos.
Não sei se também já te sentiste assim.
Mas parar também foi necessário.
Foi uma forma de recalcular a rota e perceber que nem tudo o que anda depressa está a ir no caminho certo.
Esta imagem lembra-me disso.
Depois da tempestade, o céu muda, não porque tudo ficou perfeito, mas porque houve espaço para acalmar.
E foi nesse abrandar que percebi que não precisava de fazer mais... precisava de sustentar melhor.
Este ano não é sobre fazer mais, é sobre criar estrutura.
Porque sem estrutura, até aquilo que nasce bonito acaba por cair.
Abrandar não me fez perder o rumo.
Ajudou-me a encontrá-lo.