25/05/2026
Wabi-Sabi — a beleza do que é feito por mãos reais.
Com a idade, começamos a perceber melhor aquilo que realmente tem significado.
A colcha que a bisavó fez.
O casaquinho de lã que uma tia tricotou para os nossos filhos quando nasceram.
A máquina fotográfica antiga.
As fotografias desfocadas, mas cheias de vida.
Há coisas que não são perfeitas.
Mas são nossas.
Têm tempo, mãos, memória e história.
Não consigo esconder um pequeno sorriso quando penso em como, em certos aspetos, o viver de antigamente parecia mais simples.
Não ignoro a revolução industrial, nem tudo aquilo que ela nos trouxe. Chegámos longe. Produzimos mais, mais depressa, mais igual.
Mas também sei uma coisa:
prefiro as alheiras caseiras que a minha Maria faz às do supermercado.
Prefiro um cinto feito à mão a um cinto de plástico comprado no shopping.
Prefiro uma peça com alma a uma peça perfeita mas sem história.
No Japão existe uma ideia chamada Wabi-Sabi: a beleza da imperfeição, do tempo e da autenticidade.
Também existe a arte de reparar cerâmica partida com ouro, não para esconder as marcas, mas para as valorizar.
Talvez o trabalho artesanal seja um pouco isso.
Um ponto menos direito.
Uma marca no couro.
Uma diferença entre duas peças.
Às vezes alguém diz:
“Esta peça tem aqui um pequeno defeito.”
E talvez tenha.
Mas cada peça é feita à mão, em pele verdadeira, com tempo, paciência e dedicação. Não sai de uma linha de montagem. Sai das mãos de alguém que aprendeu um ofício e continua a fazê-lo com orgulho.
A perfeição da fábrica tem o seu lugar.
Mas o artesanal tem outra coisa: presença.
Porque aquilo que é feito por mãos reais carrega sempre um pouco da pessoa que o fez.
Correeiro Albardeiro
António Mesquita
Trabalho manual em pele.