Rendas de Bilros

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Rendas de Bilros A origem das Rendas de Bilros de Vila do Conde remonta ao século XVI, uma arte inspirada na espuma das ondas do mar e ligada a uma forte localidade piscatória.

Os problemas com que se debatiam as rendilheiras de Vila do Conde, evidenciados num Inquérito feito em 1979, indiciavam a extinção, a breve prazo, do importante centro rendeiro. A Câmara Municipal, empenhada na salvaguarda dos seus valores, entendeu que a sua acção seria mais eficaz se ligada a outros agentes, pelo que em 1984 surge a Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde, legalmente constituída com o fim de “inventariar, preservar e promover” as artes e ofícios tradicionais, com particular atenção às Rendas de Bilros. Na prossecução dos seus objectivos, entre outras iniciativas – exposições, concursos ou desfiles de moda, destaquem-se a Oficina que funciona no Museu das Rendas de Bilros e a organização da Feira Nacional de Artesanato, evento que muito tem contribuído para a promoção e dignificação do artesanato português.

𝐖𝐨𝐫𝐤𝐬𝐡𝐨𝐩 𝐝𝐞 𝐈𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚çã𝐨 à𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬, no Museu das Rendas, sob orientação da rendilheira Isabel Carneiro. A iniciat...
10/10/2026

𝐖𝐨𝐫𝐤𝐬𝐡𝐨𝐩 𝐝𝐞 𝐈𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚çã𝐨 à𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬, no Museu das Rendas, sob orientação da rendilheira Isabel Carneiro.

A iniciativa integra os Dias Abertos Artes & Ofícios | Novo Design 2026, programa da Bienal Artes & Ofícios.

É 𝐨𝐟𝐢𝐜𝐢𝐚𝐥! 𝐀𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐣á 𝐞𝐬𝐭ã𝐨 𝐫𝐞𝐠𝐢𝐬𝐭𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐭𝐞𝐠𝐢𝐝𝐚𝐬 𝐞𝐦 𝐭𝐨𝐝𝐚 𝐚 𝐔𝐧𝐢ã𝐨 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐢𝐚!Recebemos hoje...
09/10/2026

É 𝐨𝐟𝐢𝐜𝐢𝐚𝐥! 𝐀𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐣á 𝐞𝐬𝐭ã𝐨 𝐫𝐞𝐠𝐢𝐬𝐭𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐭𝐞𝐠𝐢𝐝𝐚𝐬 𝐞𝐦 𝐭𝐨𝐝𝐚 𝐚 𝐔𝐧𝐢ã𝐨 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐢𝐚!

Recebemos hoje a comunicação oficial que confirma a inscrição da denominação «𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞» 𝐧𝐨 𝐑𝐞𝐠𝐢𝐬𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐔𝐧𝐢ã𝐨 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐢𝐚 𝐝𝐚𝐬 𝐈𝐧𝐝𝐢𝐜𝐚çõ𝐞𝐬 𝐆𝐞𝐨𝐠𝐫á𝐟𝐢𝐜𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐝𝐮𝐭𝐨𝐬 𝐚𝐫𝐭𝐞𝐬𝐚𝐧𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐢𝐧𝐝𝐮𝐬𝐭𝐫𝐢𝐚𝐢𝐬.

Esta decisão representa um 𝐦𝐚𝐫𝐜𝐨 𝐡𝐢𝐬𝐭ó𝐫𝐢𝐜𝐨 𝐧𝐚 𝐯𝐚𝐥𝐨𝐫𝐢𝐳𝐚çã𝐨 𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐭𝐞çã𝐨 𝐝𝐚𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞, garantindo o reconhecimento e a defesa do seu nome, autenticidade e ligação ao território nos 27 Estados-Membros da União Europeia.

Mais do que uma conquista jurídica, é o reconhecimento de um saber-fazer secular, preservado e transmitido por gerações de rendilheiras, e o resultado de um longo trabalho da ADAPVC em defesa deste património artesanal.

𝐃𝐚𝐬 𝐦ã𝐨𝐬 𝐝𝐚𝐬 𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢𝐥𝐡𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐭𝐨𝐝𝐚 𝐚 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐚!

Um novo capítulo na história das nossas Rendas de Bilros. Um motivo de orgulho para Vila do Conde e para todas as suas rendilheiras!

Confirmada a inscrição da denominação «Rendas de Bilros de Vila do Conde» no Registo Europeu das Indicações Geográficas de produtos artesanais.

𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐢𝐧𝐬𝐩𝐢𝐫𝐚𝐦 𝐧𝐨𝐯𝐚 𝐜𝐫𝐢𝐚çã𝐨 𝐚𝐫𝐭í𝐬𝐭𝐢𝐜𝐚As Rendas de Bilros de Vila do Conde voltam a cruzar-se com a arte conte...
09/10/2026

𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐢𝐧𝐬𝐩𝐢𝐫𝐚𝐦 𝐧𝐨𝐯𝐚 𝐜𝐫𝐢𝐚çã𝐨 𝐚𝐫𝐭í𝐬𝐭𝐢𝐜𝐚
As Rendas de Bilros de Vila do Conde voltam a cruzar-se com a arte contemporânea, desta vez, no projeto 𝐸𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑀𝑎𝑟é𝑠, da artista Joana Patrão, selecionado para as Residências Artísticas Solar 2026, da Solar - Galeria de Arte Cinemática.

Inspirado na orla costeira, o projeto estabelece um diálogo entre a tradição rendilheira, a biodiversidade marítima, as barroeiras e a escrita, através do vídeo, do som e do desenho na areia.

A presença das Rendas de Bilros neste projeto constitui uma oportunidade de dar visibilidade a esta expressão do património cultural imaterial noutros contextos artísticos, evidenciando a sua capacidade de inspirar novas interpretações e de estabelecer pontes entre memória, natureza e contemporaneidade.

A obra será apresentada na Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, entre dezembro de 2027 e janeiro de 2028.

Rendas de Bilros de Vila do Conde no Festival Música D'Ponte, hoje e amanhã, no Mosteiro de Tibães, em Braga.
03/10/2026

Rendas de Bilros de Vila do Conde no Festival Música D'Ponte, hoje e amanhã, no Mosteiro de Tibães, em Braga.

As Rendas de Bilros vão estar em destaque no Festival Música D’Ponte, nos dias 3 e 4 de outubro, no Mosteiro de Tibães, ...
16/09/2026

As Rendas de Bilros vão estar em destaque no Festival Música D’Ponte, nos dias 3 e 4 de outubro, no Mosteiro de Tibães, em Braga.

Uma oportunidade para conhecer de perto esta expressão do património cultural imaterial de Vila do Conde, através de workshops que dão a conhecer os gestos, técnicas e saberes de uma tradição com mais de quatro séculos de história.

👉 Inscrições através do link: https://shorturl.at/iGfcx

🧵 Workshops de Rendas de Bilros
📅 3 e 4 de outubro
⏰ 11h00 e 15h30
📍 Mosteiro de Tibães | Braga

Estão a decorrer as inscrições para o 𝐖𝐨𝐫𝐤𝐬𝐡𝐨𝐩 𝐝𝐞 𝐈𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚çã𝐨 à𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬, a realizar no dia 10 de outubro, no Mus...
08/09/2026

Estão a decorrer as inscrições para o 𝐖𝐨𝐫𝐤𝐬𝐡𝐨𝐩 𝐝𝐞 𝐈𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚çã𝐨 à𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬, a realizar no dia 10 de outubro, no Museu das Rendas.

Durante a tarde, vai poder conhecer esta arte tradicional, experimentar a almofada de rendilheira, aprender os primeiros gestos e criar a sua própria peça.

Uma oportunidade para descobrir um saber-fazer que atravessa gerações.

📅 10 de outubro | 14h30–17h30
📍 Museu das Rendas de Bilros de Vila do Conde
💶 18,45 € | materiais incluídos
📌 Inscrições até 1 de outubro, limitadas às vagas disponíveis.

A iniciativa integra os Dias Abertos Artes & Ofícios | Novo Design 2026, programa da Bienal Artes & Ofícios.

Inscreva-se aqui: https://shorturl.at/ARi4w

Vila do Conde está no Avante!As Rendas de Bilros de Vila do Conde são o tema da exposição do Espaço Central da Festa do ...
04/09/2026

Vila do Conde está no Avante!
As Rendas de Bilros de Vila do Conde são o tema da exposição do Espaço Central da Festa do Avante! 2026.

Até domingo, as nossas rendilheiras mostram ao vivo esta arte secular, partilhando saberes, gestos e técnicas que atravessam gerações.

Os bilros já estão a trabalhar. Venha conhecê-los!

📍 Espaço Central | Festa do Avante!
📅 4, 5 e 6 de setembro

𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐥𝐞𝐯𝐚 𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐮𝐬 𝐛𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐀𝐯𝐚𝐧𝐭𝐞!A secular arte das Rendas de Bilros estará em destaque no Espaço Central da ...
19/08/2026

𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐥𝐞𝐯𝐚 𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐮𝐬 𝐛𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐀𝐯𝐚𝐧𝐭𝐞!
A secular arte das Rendas de Bilros estará em destaque no Espaço Central da Festa do Avante!, numa exposição dedicada à sua história, beleza e transmissão do saber-fazer.

Durante o evento, rendilheiras de Vila do Conde e de Peniche vão mostrar ao vivo esta tradição, através de oficinas que convidam o público a conhecer e a experimentar os seus gestos, técnicas e segredos.

Uma oportunidade para descobrir a riqueza de um património que atravessa gerações e que continua preservado e reinventado no presente.

📍 Espaço Central | Festa do Avante! 2026
📅 4, 5 e 6 de setembro

🧵 Rendas de Bilros em conversa na Feira Nacional de ArtesanatoAs Rendas de Bilros de Vila do Conde estiveram, hoje à tar...
08/08/2026

🧵 Rendas de Bilros em conversa na Feira Nacional de Artesanato

As Rendas de Bilros de Vila do Conde estiveram, hoje à tarde, em destaque na Feira Nacional de Artesanato, numa conversa dedicada a esta tradição e aos saberes que lhe dão continuidade.

A iniciativa integra a Operação de Inscrição das Rendas de Bilros de Vila do Conde no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), proporcionando um importante momento de partilha de experiências, memórias e conhecimentos, com a voz das próprias rendilheiras.

Participaram na conversa:
🧵 Ana Rita Leal
🧵 Isabel Carneiro
🧵 Maria da Guia Monteiro
🧵 Lisberta Rocha Rodrigues
🧵 Maria Lopes

Mais do que uma técnica artesanal, as Rendas de Bilros são um património vivo, feito de gestos, saberes, histórias e memórias transmitidos de geração em geração.

Registar, conhecer e valorizar este património é também contribuir para a sua salvaguarda e para a sua continuidade no futuro.

A Operação em curso é promovida pela Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC), com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, e cofinanciada pelo Programa Operacional Norte 2030.

📍 Feira Nacional de Artesanato | Vila do Conde

𝐀 “𝐀𝐫𝐜𝐚 𝐝𝐚𝐬 𝐋á𝐠𝐫𝐢𝐦𝐚𝐬”: 𝐉𝐨𝐚𝐪𝐮𝐢𝐦 𝐝𝐞 𝐕𝐚𝐬𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐥𝐨𝐬 𝐞 𝐚𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬Agraciado há precisamente 100 anos, a 5 agosto de 192...
05/08/2026

𝐀 “𝐀𝐫𝐜𝐚 𝐝𝐚𝐬 𝐋á𝐠𝐫𝐢𝐦𝐚𝐬”: 𝐉𝐨𝐚𝐪𝐮𝐢𝐦 𝐝𝐞 𝐕𝐚𝐬𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐥𝐨𝐬 𝐞 𝐚𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬
Agraciado há precisamente 100 anos, a 5 agosto de 1926, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, destinada a distinguir altos méritos literários, científicos e artísticos, Joaquim de Vasconcelos é, frequentemente, apontado como um dos fundadores da História da Arte em Portugal enquanto disciplina assente em investigação, método e documentação.

Joaquim António da Fonseca de Vasconcelos nasceu no Porto em 1849, tendo sido casado com Carolina Michaëlis. Foi historiador, crítico de arte, musicólogo, museólogo, professor, publicista e uma das figuras mais influentes da cultura portuguesa de finais do século XIX e início do século XX. Teve, igualmente, um importante papel na divulgação e promoção das “artes industriais e caseiras”, incluindo cerâmica, ourivesaria, tecidos, bordados e rendas. Era, inclusivamente, colecionador de rendas de bilros.

A sua formação alemã marcou profundamente o seu modo de trabalhar: valorizava o rigor documental, a comparação, o estudo direto das obras, a bibliografia especializada e a relação entre arte, história, técnica e educação.

No campo da arte portuguesa, Joaquim de Vasconcelos teve um papel pioneiro. Defendeu a necessidade de estudar a arte nacional com base em documentos, obras concretas e análise crítica, afastando-se de leituras vagas, lendárias ou puramente patrióticas.

Foi também uma figura central na defesa do ensino artístico. Para Vasconcelos, o desenho era uma base essencial, não apenas para as belas-artes, mas também para as artes industriais e para a melhoria da produção artesanal e fabril. Acreditava que a educação estética e técnica podia contribuir para elevar a qualidade dos produtos portugueses, formar operários e artistas, educar o gosto do público e fortalecer a economia nacional.

Essa preocupação levou-o a envolver-se diretamente no movimento associativo e expositivo portuense. Foi secretário-geral da Sociedade de Instrução do Porto, participou na criação e dinamização do Centro Artístico Portuense e colaborou na revista 𝐴 𝐴𝑟𝑡𝑒 𝑃𝑜𝑟𝑡𝑢𝑔𝑢𝑒𝑧𝑎.

No domínio museológico, Joaquim de Vasconcelos ficou especialmente ligado ao Museu Industrial e Comercial do Porto (MICP), do qual foi conservador e diretor. Defendia os museus industriais como instrumentos pedagógicos, capazes de formar artistas, operários, industriais, comerciantes e consumidores. Para ele, o museu não devia ser apenas um depósito de objetos, mas uma escola visual, uma “montra” de materiais, técnicas, modelos e tradições.

É neste contexto que se compreende o seu interesse pelas artes industriais e caseiras. Vasconcelos participou e organizou várias exposições industriais no Porto, como as de cerâmica, ourivesaria e tecidos, e esteve ligado a iniciativas semelhantes noutras cidades. A sua intervenção visava estudar, classificar, valorizar e renovar produções tradicionais portuguesas, procurando evitar o seu desaparecimento e melhorar a sua qualidade técnica e artística.

A ligação de Joaquim de Vasconcelos às 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 surge precisamente nesse quadro. Na I Exposição-Bazar de Belas-Artes, realizada em 1881 no Palácio de Cristal do Porto, o único expositor de rendas foi Joaquim de Vasconcelos, enquanto colecionador, com referência a “rendas e bordados” no catálogo da exposição.

Para Vasconcelos, estas rendas não eram simples ornamentos domésticos. Eram testemunhos de saber técnico, de trabalho feminino, de tradição local e de identidade artística portuguesa. Ao expô-las em contexto de belas-artes e artes industriais, contribuiu para lhes dar visibilidade pública e estatuto cultural. A sua ação ajudou a deslocar as rendas do espaço doméstico e comercial para o campo do estudo, da exposição, da museologia e da valorização patrimonial.

A sua visão tinha também uma dimensão social. Vasconcelos mostrou-se atento às condições de vida dos artífices e operários. No caso das rendilheiras, criticou a precariedade do seu trabalho, os baixos preços pagos pelas peças e a dependência de intermediários:

“[𝑎 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑖𝑙ℎ𝑒𝑖𝑟𝑎] 𝑝𝑎𝑔𝑎 𝑒𝑚 𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑖𝑟𝑜 𝑙𝑢𝑔𝑎𝑟 𝑜 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜, 𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑒𝑛ℎ𝑜; 𝑝𝑎𝑔𝑎 𝑑𝑒𝑝𝑜𝑖𝑠 𝑜 𝑝𝑖𝑞𝑢𝑒. 𝑆𝑎𝑏𝑒𝑟 𝑝𝑖𝑐𝑎𝑟, 𝑖𝑠𝑡𝑜 é, 𝑚𝑎𝑟𝑐𝑎𝑠 𝑎𝑠 𝑙𝑖𝑛ℎ𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑟𝑎𝑐𝑡𝑒𝑟í𝑠𝑡𝑖𝑐𝑎𝑠 𝑑𝑜 𝑑𝑒𝑏𝑢𝑥𝑜, 𝑛𝑜 𝑐𝑎𝑟𝑡ã𝑜, 𝑐𝑜𝑚 𝑎𝑙𝑓𝑖𝑛𝑒𝑡𝑒 é 𝑠𝑒𝑔𝑟𝑒𝑑𝑜 𝑡ã𝑜 𝑠𝑖𝑛𝑔𝑢𝑙𝑎𝑟, 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑎 𝑚𝑖𝑠𝑡𝑒𝑟𝑖𝑜𝑠𝑎 𝑎𝑟𝑡𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑢𝑧𝑖𝑟 𝑢𝑚 𝑙á𝑝𝑖𝑠 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑜 𝑝𝑎𝑝𝑒𝑙! 𝑃𝑎𝑔𝑎, 𝑒𝑛𝑓𝑖𝑚, 𝑎 𝑙𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑐𝑜𝑚 𝑢𝑠𝑢𝑟𝑎; 𝑒 𝑑𝑒𝑝𝑜𝑖𝑠 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑐𝑙𝑢í𝑑𝑎 𝑎 𝑜𝑏𝑟𝑎, 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑒-𝑎, 𝑓𝑜𝑟ç𝑎𝑑𝑎 𝑝𝑒𝑙𝑎 𝑓𝑜𝑚𝑒, 𝑎𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑏𝑎𝑟𝑎𝑡𝑜, 𝑎 𝑢𝑚 𝑎𝑠𝑡𝑢𝑡𝑜 𝑛𝑒𝑔𝑜𝑐𝑖𝑎𝑛𝑡𝑒, 𝑜𝑢 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒𝑔𝑎-𝑎 𝑎 𝑢𝑚𝑎 𝑚𝑢𝑙ℎ𝑒𝑟 𝑞𝑢𝑒 𝑠𝑎𝑏𝑒 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑟 𝑡𝑒𝑟𝑟𝑎𝑠, 𝑒 𝑣𝑎𝑖 𝑝𝑒𝑟𝑒𝑔𝑟𝑖𝑛𝑎𝑛𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑙𝑢𝑔𝑎𝑟 𝑒𝑚 𝑙𝑢𝑔𝑎𝑟 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑢𝑚 𝑝𝑒𝑞𝑢𝑒𝑛𝑖𝑛𝑜 𝑏𝑎ú 𝑑𝑒 𝑓𝑜𝑙ℎ𝑎, 𝑜 𝑏𝑎ú 𝑑𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠, 𝑞𝑢𝑒 𝑠𝑒 𝑝𝑜𝑑𝑒𝑟𝑖𝑎 𝑐ℎ𝑎𝑚𝑎𝑟, 𝑐𝑜𝑚 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑟𝑎𝑧ã𝑜, 𝑎 𝑎𝑟𝑐𝑎 𝑑𝑎𝑠 𝑙á𝑔𝑟𝑖𝑚𝑎𝑠”.

Apesar do seu entusiasmo e da importância das suas ideias, muitos dos seus projetos enfrentaram dificuldades. O Museu Industrial e Comercial do Porto, que ajudou a estruturar e dirigir, acabou por ser extinto oficialmente em 1899. Em 1932, a coleção de cerâmica do MICP foi integrada no Museu Soares dos Reis, o mesmo vindo a suceder com a coleção de rendas, em 1940.

Joaquim de Vasconcelos foi uma figura decisiva da cultura portuguesa oitocentista. No caso das Rendas de Bilros de Vila do Conde, a sua importância está em ter reconhecido nelas não apenas um produto artesanal, mas uma expressão de arte, técnica, trabalho e identidade. Ao apresentá-las em exposições, ao integrá-las no discurso das artes industriais e ao defendê-las como património a estudar e preservar, contribuiu para a sua valorização pública e museológica.

Endereço

Rua De S. Bento, 70
Vila Do Conde
4480-781

Horário de Funcionamento

Terça-feira 09:00 - 18:00
Quarta-feira 09:00 - 18:00
Quinta-feira 09:00 - 18:00
Sexta-feira 09:00 - 18:00
Sábado 09:00 - 18:00
Domingo 09:00 - 18:00

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