29/04/2026
𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 – 𝐌𝐞𝐦ó𝐫𝐢𝐚, 𝐀𝐫𝐭𝐞 𝐞 𝐓𝐫𝐚𝐝𝐢çã𝐨
As peças apresentadas pertencem à tradição das rendas de bilros de Vila do Conde, uma prática com origem pelo menos no século XVI e que continua a ser um dos mais importantes testemunhos do património têxtil português.
Executadas em 𝐞𝐬𝐭𝐨𝐩𝐚 𝐝𝐞 𝐥𝐢𝐧𝐡𝐨, um material mais grosso e resistente, estas rendas revelam um extraordinário domínio técnico e estético e demonstram a mestria das rendilheiras que, com paciência e rigor, transformavam fios em verdadeiras obras de arte.
Do ponto de vista visual, destacam-se os motivos decorativos inspirados em formas vegetalistas, organizados de forma equilibrada e simétrica. É também evidente o contraste entre zonas mais densas, onde o fio é trabalhado de forma compacta, e áreas mais abertas em rede, criando um efeito leve e decorativo. Os contornos recortados e os pequenos acabamentos ao longo das bordas reforçam a riqueza destas composições.
Estas peças terão sido produzidas entre cerca de 1920 e 1930, numa época em que a renda de bilros era frequentemente feita em casa e representava uma importante fonte de rendimento complementar para muitas famílias de Vila do Conde.
Foram elaboradas por 𝐀𝐝𝐞𝐥𝐚𝐢𝐝𝐞 𝐒𝐨𝐮𝐬𝐚 𝐏𝐢𝐧𝐭𝐨 𝐑𝐢𝐛𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐏𝐨𝐧𝐭𝐞𝐬 (mãe da atual proprietária Amélia Pontes), rendilheira local que teve também um papel importante na divulgação e comercialização destas rendas.
Para além de produzir as suas próprias peças, Adelaide Pontes comprava trabalhos a outras rendilheiras de Vila do Conde, selecionando-os e vendendo-os posteriormente no Porto, sobretudo junto de famílias abastadas da zona da Foz. Este tipo de organização era comum na época e permitia fazer a ligação entre a produção artesanal e os mercados urbanos.
👉 𝐓𝐞𝐦 𝐟𝐨𝐭𝐨𝐠𝐫𝐚𝐟𝐢𝐚𝐬 𝐚𝐧𝐭𝐢𝐠𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐨𝐮 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐢𝐥𝐡𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬?
Estamos a promover a 𝐫𝐞𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐝𝐞 𝐟𝐨𝐭𝐨𝐠𝐫𝐚𝐟𝐢𝐚𝐬 𝐞 𝐝𝐨𝐜𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐭𝐢𝐠𝐨𝐬 relacionados com as rendilheiras e com a produção das Rendas de Bilros, apelando à participação de todos os que detenham este tipo de espólio.
A iniciativa tem como objetivo recolher, preservar e valorizar a memória visual de uma das tradições mais representativas do património cultural do concelho. O material reunido irá integrar um arquivo histórico, destinado ao estudo, divulgação e salvaguarda desta arte secular.
Saiba como participar aqui: https://tinyurl.com/yc2db6tk
Ação desenvolvida no âmbito da Operação NORTE2030-FEDER-02905000 – “Inclusão da Renda de Bilros de Vila do Conde no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI)”, promovida pela Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde, com o apoio da Câmara Municipal, e cofinanciada pelo Programa NORTE 2030.